Projeto Escrita Criativa — Desde 2015 reunindo pessoas que amam escrever
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Imagem por Markus Spiske, via Pexels.

não temos fotos.
o duende levou consigo o registro mágico do Natal.

não há memórias.
as doçuras foram levadas pela tempestade de verão.

não há amor.
como explicar a ilusão do que aconteceu,
quando o sentimento não era recíproco?

não há saudade.
como entender o que está acontecendo agora,
com uma comunicação inexistente?

em um tempo em suspenso,
o relicário segue pendurado no pescoço:

nele há dois lados que seguem vazios.
 
provavelmente nunca mais serão preenchidos.

💡💡💡

Sobre a autora:

Fernanda Rodrigues é uma paulistana apaixonada por gatos e café. Atualmente é professora de escrita literária, de português e de inglês, escritora, revisora, preparadora de textos, leitora crítica, palestrante e cofundadora do Projeto Escrita Criativa. De formação, é especialista em Psicopedagogia, (Anhembi-Morumbi), em Docência em Literatura e Humanidades (FMU) e em Formação de Escritores e Produção e Crítica de Textos Literários (ISE Vera Cruz), além de ser bacharel e licenciada em Letras — Português/Inglês (USJT) e pós-graduanda em Revisão de Textos (FMU). É autora dos livros de poesia A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos (2019) e Rasgos dentro da minha própria pele (2022), ambos publicados pela Editora Litteralux (antiga Penalux), de La intermitencia de las cosas: sobre lo que hay entre el vacío y el caos (2024), publicado pela Caravana Editorial e do didático Narrativas Digitais: narro, logo existo! Registrar o meu mundo e construir histórias (2021), lançado pela Fundação Telefônica Vivo. É 3º lugar no Prêmio SESC Crônicas Rubem Braga (2017) e tem textos em diversas antologias. Também escreve no site Algumas Observações, no ar desde junho de 2006.

💡💡💡

Sobre o texto:

Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita,
cujo tema de maio de 2026 é relicário.
Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.

Este texto foi escrito e publicado originalmente no site Algumas Observações,
da nossa cofundadora, Fernanda Rodrigues.



Lançado no Brasil em 2024 pela editora Seiva, Arte e Medo: Observações sobre os desafios (e recompensas) de fazer arte é um clássico underground que conversa diretamente com quem busca ampliar o olhar sobre arte, criatividade e o próprio fazer artístico. Mais do que um livro sobre arte, ele é um convite para refletir sobre o que significa se reconhecer como artista e viver uma vida criativa.

As dificuldades enfrentadas por quem cria arte não são extraordinárias e heroicas, mas universais e familiares. 

Assumir essa identidade não é simples, especialmente em um país onde fazer arte muitas vezes ainda é visto como um passatempo, e não como carreira. David Bayles e Ted Orland partem justamente desse ponto sensível de fazer arte no mundo real. Ao longo do livro, eles não oferecem fórmulas mágicas ou caminhos prontos para o sucesso, mas propõem uma conversa sincera sobre fazer arte, ser artista e lidar com as incertezas e medos que acompanham qualquer jornada criativa.

...as únicas pessoas que vão se importar com seu trabalho são aquelas que se importam pessoalmente com você. Aquelas próximas o bastante para saber que fazê-lo é essencial para o seu bem-estar. Elas sempre irão se importar com o seu trabalho, se não por ser excepcional, por ser seu — e devemos ficar honestamente grátis por isso. 


Com apenas 128 páginas, Arte e Medo pode até parecer uma leitura rápida, mas não se engane. Cada capítulo pede pausa, reflexão e, em alguns momentos, uma releitura cuidadosa. É um livro que convida o leitor a absorver o que faz sentido para sua própria trajetória, questionar o que não se encaixa, pesquisar o desconhecido e entender o porquê de cada desconforto que surge durante o processo criativo.

Você cria boa arte quando (entre outra coisas) faz um monte de trabalhos que não são muito bons e vai aos poucos peneirando as partes ruins, as partes que não são suas. 

Ao longo da obra, os autores trazem exemplos que passam pela fotografia, pintura, música e escrita, mas a mensagem vai muito além das artes tradicionais. Uma boa sugestão é trocar mentalmente a palavra “arte” pela atividade criativa que você desempenha. Ao fazer isso, fica fácil perceber como muitas das situações descritas se aplicam perfeitamente a diferentes áreas criativas e até a projetos pessoais.

Portanto, quando você se pergunta "Então por que não é fácil pra mim?", a resposta provavelmente é "Porque fazer arte é difícil". Você enfim se importará com o que você faz, não com a facilidade do processo. 

Arte e Medo não promete eliminar o medo, nem ensinar como transformar o processo criativo e, consequentemente, a própria arte  em um sucesso instantâneo. O livro ajuda, na verdade, a compreender esse medo e a seguir criando apesar dele e das incertezas do caminho. É uma leitura que acolhe e provoca, que faz o leitor querer grifar várias partes, fazer anotações e, acima de tudo, lembrar que o medo faz parte do processo, e que criar, mesmo com ele, já é um ato de coragem que faz toda a diferença para continuar criando. 





Livro: Arte e Medo: Observações sobre os desafios (e recompensas) de fazer arte 
Título Original: Art & Fear: Observations on the Perils (and Rewards) of Artmaking
Autor: David Bayles e Ted Orland
Tradução: Daniel Lameira
Editora: Seiva
Páginas:  128
Sinopse: O clássico underground que se tornou, junto com O caminho do artista e Roube como um artista , um dos principais best-sellers sobre arte e criatividade. Criar arte não é fácil. Muitos dos que começam, desistem. Entre aqueles que continuam, a incerteza e a dúvida são uma constante, mas uma coisa os une: eles entenderam como lidar com os medos para, assim, seguir criando as suas obras.

Muitas pessoas sentem vontade de se expressar pelos mais diversos meios – escrita, artes plásticas, dança, mundo digital etc. –, mas justificam de variadas formas a pouca dedicação para transformar seu desejo em algo real. Podem dizer que falta tempo, que não se acham boas o suficiente, ou ainda que não têm as ferramentas necessárias para avançar da forma ideal.

Criar arte é revelador e perigoso. Assim que você começa, corre o risco de descobrir a enorme distância entre aquilo que você pensa que gostaria de ser e o que realmente é. Evitar o mergulho nessas águas profundas, mesmo que de forma inconsciente, já impede muitos de seguir adiante.

Este livro, inédito no Brasil, é um convite para tomar seu destino nas próprias mãos. Seja você um artista iniciante ou experiente, ou um criador para qualquer meio, Arte e medo propõe uma conversa para ganhar consciência e desenvolver as ferramentas necessárias para nos relacionarmos com o mundo, encontrar caminhos possíveis para visualizar o próprio trabalho e seguir ao encontro do artista que estamos destinados a ser.

Leia também:   Roube como um artista, de Austin Kleon | O caminho do artista, de Julia Cameron | A vida é o que você faz dela, de Adam J. Kurtz | Siga em frente - 10 maneiras de manter a criatividade nos bons e maus momentos, Austin Kleon | Encontre sua criatividade, de Tina Seelig | Despertar Criativo, de Fernanda Longoni e Amanda Longoni 

 


Já falamos sobre a Arma de Tchekhov, Foreshadowing e Red Herring, hoje é a vez do Deus ex machina!

O termo que nasce diretamente do teatro grego que significa: “deus surgiu da máquina”. Na época se referia ao uso de uma “divindade” ou força sobrenatural que era personificada e que surgia em determinado momento para resolver o problema da trama, geralmente faziam isso descendo o ator no meio da cena utilizando um tipo de guindaste, de aí surge Deus ex machina.


Hoje em dia é utilizado quando há uma solução “muito fácil” que muitas vezes é considerada inverossímil, por isso costuma ser muito criticado. Basicamente temos uma pessoa, objeto, habilidade ou evento que surge inesperadamente e resolve um problema que era impossível de solucionar, algo que ocorre de maneira “milagrosa”.

É considerado um recurso fraco, principalmente se usado várias vezes na história, já que demonstra uma facilidade de solucionar problemas de enredos com “milagres” ou “casualidades convenientes”, ao invés de utilizar ferramentas ou artifícios trabalhados ao longo da história. É usar uma saída fácil ao invés de pensar melhor o enredo.

É proibido usar o Deus ex machina? Claro que não! Pode ser útil e até servir de teor cômico dependendo da ideia ou do estilo da sua história. A ideia não é não usar, mas sim saber quando usar e se tem sentido.

Exemplos de Deus ex machina:

1. Os sapatinhos de Dorothy em O Mágico de Oz, ao chegar no final da história, temos a dúvida de como a garota retornará a casa, a resposta é simples e não está trabalhada ao longo da trama, Glinda magicamente e convenientemente se lembra que os sapatos possuem o poder de leva-la a casa.

2. Em Endgame de Avengers temos a viagem no tempo utilizada para desfazer o estalo de Thanos, onde ocorreu uma descoberta casual da mecânica quântica. Assim como a chegada da Capitã Marvel contra o vilão na batalha final.

3. A espada de Gryffindor aparecendo magicamente para o Harry quando ele está enfrentando o basilisco. 


E você, conhece algum outro exemplo de Deus ex machina?

 

 


Filmes, séries e livros tem muito em comum enquanto à narrativas, a própria Jornada do Herói é utilizada por escritores e roteiristas. Por isso, hoje trazemos algo que é importante prestar atenção para evitar que aconteça em nossas histórias, ou talvez (dependendo da intenção que tenha), utilizá-la.

A Flanderização é um termo que surgiu por conta do personagem Ned Flanders do seriado Os Simpsons. Onde inicialmente o personagem possuía certa profundidade, era o vizinho do Homer, pai de família, um homem muito direito que estava sempre disposto a ajudar e também com certo caráter religioso. Porém com o passar das temporadas todas essas características foram ofuscadas e o caráter religioso tomou um lugar caricaturesco e até obsessivo, convertendo-se completamente em sua personalidade, utilizando disso para gerar situações cômicas na série.

Costuma acontecer em séries de longa duração, já que com a mudanças de roteiristas e equipe, costumam pegar o traço mais marcante para continuar escrevendo o personagem.

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Imagem retirada da Wikipédia sobre Flanderização

Esse processo de Flanderização, não afeta somente séries, mas também filmes, jogos e livros, e costuma ser identificada como um sintoma da queda de qualidade da escrita onde o personagem perde parte da sua profundidade e é representado somente por uma característica exagerada.


Ao escrever uma série de livros, é importante ficar de olho para que os seus personagens não terminem caricaturescos ou percam a essência que você pensou originalmente (a menos que seja essa a sua intenção). É importante lembrar-se que os personagens são feitos de várias características e experiências próprias dentro de suas realidades, por isso definir um personagem a uma só característica que se expressa de maneira exagerada, possa não ser tão agradável para os leitores. Aqui no Projeto temos vários posts que podem ajudar você a escrever os seus personagens dando mais profundidade para eles como: 

Os Temperamentos: como utilizá-los na construção dos seus personagens

O texto fala: tradições nos livros, Arquétipos na construção de personagens: Pícaro

Arquétipos na construção de personagens: Camaleão 

Arquétipos na construção de personagens: Arauto 

Arquétipos na construção de personagens: Guardião de Limiar 

Arquétipos na construção de personagens: MENTOR 

Arquétipos na construção de personagens: HERÓI 

Arquétipos na construção de personagens 

Dicas para construção de personagens 

O texto fala: as vozes dos personagens 

Criação de personagem: Como definir uma personalidade mais realista.

Também existe a Flanderização inversa, onde um personagem em um início muito caricato passa por um processo ao longo da história e acaba tornando-se mais real e com mais profundidade.

E você, já conhecia esse termo? Há algum outro personagem que você conhece que passou por uma Flanderização?

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