quarta-feira, 20 de outubro de 2021

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Hoje em dia existem diferentes formas de se envolver com desafios de escrita, o Projeto é uma delas com o Desafio Criativo e a Blogagem Coletiva, além também do ETEJ. Quem já é velho por aqui, também deve conhecer o NaNoWriMo que tem o objetivo de fazer os escritores escreverem sua obra em um mês, mas você sabia que existe outro evento de escrita que envolve a sua relação com outros escritores e uma votação para escolher a melhor equipe?


Quem disse que os escritores devem ser solitários?


Hoje trazemos para vocês mais informações sobre o Mundial de Escritura!


Inicialmente no idioma espanhol, a ideia do Mundial de Escritura nasceu em 2013 em uma oficina de escrita onde decidiram estimular os alunos a escreverem 3.000 caracteres por dia em um arquivo compartilhado para que todos pudessem ler os textos um dos outros. Inicialmente chamado de Le Championnat, o Mundial acontecia 4 vezes por ano de maneira presencial na oficina de escrita, onde os alunos se separavam em grupos para competir entre eles.


Em março de 2020, com a pandemia, decidiram abrir o Mundial de Escrita para pessoas do mundo inteiro, além de convidar diferentes autores para sugerir temas. Em agosto de 2021 foi lançada a versão em português do Mundial, abrindo espaço para que mais escritores possam participar!

 


E como funciona o Mundial de Escrita?


Primeiramente, o Mundial é uma competição onde existem diferentes times (você pode formar um time com seus amigos ou ser colocado em um time aleatório). Inicialmente, o participante escreve de maneira individual (podendo ler comentários dos companheiros sobre o próprio texto e opinar no texto dos companheiros), logo haverá uma votação entre os melhores textos dos integrantes do grupo e o texto escolhido como melhor será enviado para competir contra os outros grupos.


Durante as duas primeiras semanas, cada participante deve escrever 3.000 caracteres todo dia de acordo com o tema proposto. É muito importante chegar nesse número já que o site trabalha analisando o desempenho do grupo com porcentagens. Depois desse período você deve escolher um texto seu em até cinco dias para participar da votação geral do seu grupo, depois dos cinco dias o grupo terá três dias para votar no texto que mais gostaram, o texto com mais votos é aquele que representará o grupo. O texto escolhido poderá ser editado antes de ser enviado para competir contra os outros grupos.


Os textos dos dez finalistas vão somar pontos para definir os times ganhadores e o time vencedor ganhará prêmios, assim como os autores dos textos finalistas.


Como participo?


Você deve se cadastrar no site com um usuário próprio. Uma vez feito o seu cadastro, você pode escolher armar um time (tomando a posição de capitão), participar de um time já criado por um conhecido especificando o nome ou ser colocado aleatoriamente em um time.


Uma vez encerrada as inscrições, você receberá um e-mail de confirmação do grupo e também com um meio de contato (geralmente e-mail) para entrar em contato com os participantes. Logo, ao iniciar o mundial, você também receberá um e-mail com o tema do dia.


Para escrever, você deve entrar com o seu usuário na página e ir para o texto do dia, ali você verá o tema e haverá um espaço onde você deve escrever o seu texto, uma vez terminado é só enviar! Ficando disponível também para que os seus companheiros vejam e também atualizando o seu rendimento.


É importante destacar que você tem das 06:00 da manhã até às 05:59 da manhã do outro dia para escrever o texto, ao não enviar dentro desse horário, você perde a chance de enviar o texto desse dia.


As pessoas que não escreveram nem no primeiro dia e nem no segundo dia do Mundial serão automaticamente eliminadas do grupo, por isso é importante escrever! Sábado e domingo são dias para descansar, por isso não será enviado nenhum tema para você escrever.


Logo se inicia a etapa comentada anteriormente onde você deve escolher um texto seu para ir para a votação no seu grupo, depois é realizada a votação e o texto com mais votos é enviado para competir contra os outros grupos.


A intenção é sempre poder escrever e manter o contato com os outros escritores, por isso existe essa possibilidade de comentar no texto dos companheiros e todos podem editar e dar sugestões sobre o texto escolhido que será enviado para a competição.

 



As inscrições do último Mundial de Escrita desse ano vão do dia 20/10 ao 27/10 tendo início no dia 01/11. Então você ainda pode se inscrever!

 

E você, já conhecia o Mundial de Escrita? Já participou ou vai participar esse ano? Não se esqueça que você também pode participar da versão em espanhol do Mundial!

Site: https://pt.mundialdeescritura.com/

Instagram em português: https://instagram.com/copadomundodeescrita

Instagram em espanhol: https://instagram.com/mundialdeescritura

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

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Foto por Debby Hudson, via Unsplash


Em algum momento da sua vida você já deve ter tido aquela sensação ao final do dia de não conseguir concluir nada. É como se tivesse passado o dia procrastinando. Pois é, isso é frustrante não é mesmo? Parece que o dia não rende e as coisas a serem feitas só aumentam. Pensando nesse drama que atinge várias pessoas, separei 5 dicas simples que fazem diferença na rotina do dia a dia.  



1. Acorde cedo: quem nunca ouviu a frase "Deus sempre ajuda quem cedo madruga?" Pois é aposto que você já deve ter ouvido, e caso não seja uma pessoa matutina talvez não vai fique muito feliz com esse item da lista. Mas acredito acordar mais cedo nos dá a sensação que o dia rende mais. Por exemplo, se você costuma acordar lá pelas 9 horas da manhã que tal acordar às 8? Essa uma hora a mais que você irá ganhar vai fazer muita diferença depois. Acordar cedo é igual a ir à academia no início é quase uma missão impossível, mas depois que você se acostuma tudo se torna automático e até agradável.  É mais ou menos como explicamos na postagem sobre “Como ser uma pessoa criativa?”. 

Outra dica é faça as atividades mais chatinhas pela manhã, assim o risco de você desanimar é menor, já que você está com mais disposição do que ao final do dia. 



2. Trabalhe com metas: nada mais eficiente do que estabelecer pequenas metas para serem concluídas ao longo do dia. Quando fazemos isso conseguimos nos organizar melhor e ao final do dia dependendo do quanto avançamos em nossa lista temos a sensação de um dia produtivo ou muito produtivo. A dica é começar com 3 ou 5 metas razoáveis, assim aos poucos você vai criando uma rotina e não fica sobrecarregado e desapontado por não ter conseguido cumprir tudo.

 


3. Saiba pedir ajuda: tudo bem que nem sempre pedir ajuda é a tarefa mais fácil do mundo, ainda mais que por muito tempo nos fizeram pensar que isso poderia ser sinônimo de fraqueza ou falta de competência.  Mas sejamos honestos tem momentos que simplesmente não dá e não há nada de errado em perceber que não consegue fazer tudo sem ajuda.

Saber o momento certo de pedir ajuda faz toda a diferença. Se dar conta de que não precisa fazer tudo por conta própria é libertador, nos poupa tempo e ainda é uma forma de cuidado com a nossa saúde mental.

Por exemplo, está em dúvida em como descrever uma cena? Converse com alguém sobre o assunto talvez isso clareie suas ideias. Não sabe qual a melhor forma de narrar sua história ou qualquer outro dilema sobre escrita? Você pode participar do Plantão de dúvidas do Projeto Escrita Criativa enviando suas perguntas. A rotina de casa não está te deixando com tempo para escrever? Que tal criar um cronograma e dividir as tarefas de casa ou pedir para alguém te ajudar com o almoço, cuidar dos pets ou das crianças ou qualquer outra atividade que esteja consumindo mais tempo do que o normal.




4. Tire um tempo para descansar: loucura mas  distrair para depois focar, é algo que funciona na maioria das vezes. Ao longo do dia separe um tempo para descansar ou fazer algo que você ache divertido, mas lembre-se nada de extrapolar no tempo.

Que tal tirar um tempo de até 45 minutos para o descanso? Você pode fazer três turnos de 15 minutos ou tirar logo os 45. Nesse tempo você pode ver algum programa de TV, ler um livro, um episódio de uma série ou fazer algum exercício, tomar uma xícara de chá enquanto observa o céu, enfim, escolha uma atividade que te faça bem!

 


5. Faça um balanço: no final do dia relembre tudo o que você fez ao longo dele. Quais foram suas maiores dificuldades? Qual atividade você precisou dedicar mais ou menos? O que lhe fez bem? O que você gostaria de ter feito? Respondendo perguntas como essas você irá conhecer um pouca mais sobre você e sua rotina o que irá lhe ajudara criar um cronograma e saber em quais horários você trabalha melhor, seus pontos fortes e onde você tem mais dificuldade. Feito isso, você saberá como organizar o próximo dia. E não se esqueça não leve os problemas para a cama, caso você não tenha consigo resolver algo, lembre-se que amanhã é um novo dia repleto de possibilidades e um boa noite de sono é fundamental para um dia um dia mais produtivo!


Essa foram 5 dicas simples que quando colocadas em práticas fazem uma diferença em nossa produtividade. Para mais dicas não deixem de conferir “8 dicas de como organizar uma rotina que lhe ajude no processo de escrita”. Agora nos contem como você organizam sua rotina de escrita? O que você acham que contribuí para ela ser mais produtiva?

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

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Já conhece o Poesia ao Sol e à Sombra?


Olá, escritores!
Aqui é a Fernanda Rodrigues, uma das três cofundadoras do Projeto Escrita Criativa. Espero que vocês estejam bem. 

Vocês vivem perguntando quando o Projeto terá um curso de escrita. Pois bem, ainda não é um curso do Projeto propriamente dito; mas, como uma das cofundadoras, vim aqui espalhar a palavra do Poesia ao Sol e à Sombra, curso de leitura e escrita que veio para descomplicar a Poesia. Ao longo dos últimos meses, meu amigo e poeta Rafael Farina e eu preparamos com muito carinho esse percurso de leitura e escrita de Poesia. Então, se você sempre teve um medinho de ler poemas ou sempre teve vontade de entender mais sobre esse assunto, chegue mais. 😉




Ao longo de 8 encontros, Rafa e eu pretendemos criar um ambiente em que seja possível a expressão criativa por meio da linguagem poética (seja ela expressa na poesia ou na prosa). Para isso, vamos analisar o que torna um texto um bom texto poético, elaborar textos a partir das nossas próprias vivências e influências e dialogar sobre as diversas formas artísticas pelas quais perpassa esse tipo de linguagem. 

Abaixo deixo as informações complementares e o convite para que você se junte a nós! 😉

Sobre o curso Poesia ao Sol e à Sombra


Público-alvo:
Todas as pessoas que desejem conhecer mais sobre o processo de leitura e escrita de poesia e criatividade. Não precisa ter experiência prévia em escrita. 

Programação: 
  • Aula 1: Ao Sol e à Sombra 
  • Aula 2: Microscópio e luneta 
  • Aula 3: Referências e reverências 
  • Aula 4: Poema desentranhado 
  • Aula 5: Estilos e instintos 
  • Aula 6: A crise lírica 
  • Aula 7: Faxina 
  • Aula 8: Ponto de partida 
Datas: as aulas serão de 13/10 a 01/12, uma vez por semana, sempre às quartas-feiras.
Horário: 19h às 20h30 (horário de Brasília). 
Inscrições: via Sympla. 

Sobre os professores:

Fernanda Rodrigues é uma paulistana apaixonada por gatos e café. Atualmente é escritora, professora escrita literária, revisora, preparadora de textos e cofundadora do Projeto Escrita Criativa. Já trabalhou com textos de mais de 30 autores independentes, tem uma mentoria de escrita para autores iniciantes e um grupo de estudos de escrita literária. De formação é especialista em Docência em Literatura e Humanidades e em Produção e Crítica de Textos Literários, além de ser bacharel e licenciada em Letras. É autora do livro A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos (Editora Penalux), 3º lugar no Prêmio SESC Crônicas Rubem Braga (2017) e escreve no site Algumas Observações, no ar desde junho de 2006. | Instagram: @fe_notavel

 

Rafael Farina, 39 anos, autor de Falhas que só existem no Sul (2018) e Ossos açucarados (2021). Participou de oficinas literárias com autores como Marcelino Freire, Daniel Galera, Marina Wisnik, e Xico Sá.Palestrante na Feira do Livro 2020 de Bento Gonçalves/RS, com o tema: “Poema e identidade - O desenvolvimento do eu na poesia”. Tem poemas inéditos publicados na Revista Mallamargens e na Rusga Revista. | Instagram: @rafael.com.f


Esperamos por vocês 😉

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

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Foto sob licença Creative Commons por Congerdesign

Há algumas semanas fizemos um post sobre a Arma de Tchekhov e a importância de não colocar elementos supérfluos na trama, mas sim aqueles que serão usados ao decorrer da história. Nesse sentido, desde a ideia de elementos que aparecem na história, também podemos falar sobre a técnica do Foreshadowing.

 

 

Foreshadowing.



É uma ferramenta literária bastante usada em diferentes tipos de narrativa, assim como a Arma de Tchekhov, ela pode ser encontrada em livros, filmes, séries e até mesmo em jogos. Ela consiste em pequenas pistas ao longo da narrativa que remetem a eventos que ocorrerão no futuro, ou seja, uma "sombra" do que está por vir.

 

Muitos autores quebram a cabeça na hora de usar o foreshadowing, porque o seu principal objetivo é não deixar na cara o que vai acontecer, mas sim gerar aquela famosa “pulga atrás da orelha” que faz com que os leitores criem diferentes hipóteses ou teorias do que pode acontecer ou daquilo que está acontecendo.

 


Se colocarmos esse conceito em prática, podemos dizer que é uma forma “divertida” que o autor utiliza para falar de algo importante sem que o leitor perceba, “jogar na cara” algo que pode “explodir” a cabeça daqueles que chegam ao final da história, causando um efeito de: “ah, agora aquilo faz sentido”.

 

Isso gera um efeito interessante nos leitores quando é realizada uma segunda leitura, já que pode fazer com que muitos pensem: “nossa, isso está desde o começo e eu não percebi”, “já no começo eu poderia saber o fim” ou “estava tão na cara”.

 

O foreshadowing pode ser aplicado de diferentes maneiras:

 

- Pode ser uma piada ou comentário feito por um personagem.

Em uma conversa que parece ser de menor importância para a história, o autor pode colocar elementos na fala dos personagens que revelam algo que acontece no futuro.

Exemplo: Fulano brinca sobre a possibilidade de estarem em uma realidade paralela (quando não há indícios disso, obviamente) e no final descobrimos que isso é verdade.

 

- Pode ser uma ação:

Um exemplo claro disso é em Harry Potter quando o Quirrell evita qualquer contato físico com o Harry. A princípio gera uma estranheza no leitor e isso logo é explicado quando descobrimos que ele não o tocava porque o Voldemort estava em seu corpo e era ele quem não podia ser tocado pelo garoto que sobreviveu.

 


- Pode ser uma profecia:

Muitos livros de fantasia utilizam as profecias que deixam os leitores curiosos sobre o que irá acontecer. Geralmente, o enredo está cheio de situações que podem estar relacionadas com a tal profecia fazendo com que o leitor acredite que ela foi cumprida, porém, somente no final é revelado o verdadeiro sentido, fazendo com que tudo faça “click” na cabeça do leitor.

 

- Pode ser um detalhe.

Aqui podemos relacionar bastante com a arma de Tchekhov, algum objeto que aparece na trama, porém nesse caso não será um elemento salvador, mas sim algo que remete à resolução de algo na história.

Podemos ver um exemplo disso na série Squid Game quando o policial pega o registro dos jogadores atuais e este começa com o jogador 002 e não com 001, isso evidencia que o jogador 001 tinha algo de especial (o próprio criador do jogo não precisaria ter seus dados registrados, não é mesmo?).

 

- Pode ser um símbolo.

O uso de simbolismos pode ser outra maneira de utilizar a técnica.

Utilizando outro exemplo de Harry Potter, podemos falar dos patronos de Ron e Hermione que se relacionam diretamente. É um símbolo (animal) que naquele momento não se relacionava, mas que no futuro faria muito sentido já que esses dois ficaram juntos.

 

- Pode ser uma preocupação.

Algum personagem pode apresentar preocupação excessiva que algo aconteça, algo que não seria possível de acontecer em um princípio, mas logo acaba acontecendo.

Um exemplo poderia ser um adulto responsável que demonstra grande preocupação pelo uso te tecnologia dizendo coisas como “usar o celular todo o dia faz mal”, “isso vai fritar o seu cérebro” etc. E durante o roteiro é justamente esse uso que gera o problema da história.

 


Você pode trabalhar o foreshadowing de diferentes maneiras e com várias outras coisas que talvez não foram mencionadas nesse post, o importante para utilizar a técnica de maneira exitosa é ter em mente três pontos principais:

- Não colocar “pistas” tão óbvias.

- Tentar ser sutil e conciso.

- Não colocar um elemento como foreshadowing se não for utiliza-lo como tal (se você “prometeu” algo, deve cumprir essa promessa).

 

E você já usou o foreshadowing ou conhece outros exemplos na literatura? Compartilhe com a gente!

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

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Imagem por Sigmund, via Unsplash.


Olá, escritores!

Com frequência recebemos perguntas nos nossos plantões sobre a escrita de literatura para crianças e adolescentes. Essas dúvidas são pertinentes, porque há um grau grande de responsabilidade ao se entregar um livro para uma criança, já que o primeiro contato pode fazê-la amar ou detestar a literatura. Além disso, sempre bate aquela dúvida se nós, adultos que escrevemos, não estamos ou sendo muito precipitados com algum assunto ou se estamos tratando as crianças de modo ingênuo demais.


Numa tentativa de dar uma luz a esta jornada, trazemos hoje a teoria do pesquisador austríaco Richard Banberger, que estudou os interesses de leitura e as fases do desenvolvimento psicológico das crianças. A partir do que pesquisou, foi possível que ele nomeasse as cinco idades de leitura. São elas:


Foto por Teo Zac, via Unsplash.


1ª fase: livros de gravuras e dos versos infantis

Os livros desta fase são voltados para crianças de dois a cinco ou seis anos de idade. Nessa época da vida, a criança ainda não diferencia muito bem o que há no mundo externo e no interno e isso a leva a ter uma mentalidade mágica. Os livros dessa fase são importante justamente para apoiá-las nesse processo de entender o que é o "eu" e o que o "outro, o mundo".

Nessa fase é mais comum que as crianças se prendam às cenas que mais gostam do que ao todo da história. Quanto menor a criança, menos ela se prende ao tempo da narrativa (começo, meio e fim).

As características desses livros são o grande número de gravuras/ilustrações que tragam elementos do dia a dia infantil e um texto que tenha o jogo de ritmo (rimas, assonâncias, refrões que se repetem — às vezes com pequenas alterações , parlendas em geral), porque esse tipo de texto é de fácil memorização.

Se for possível, é bacana que o livro tenha texturas e muitas cores.

2ª fase: fábulas, mitos, contos de fadas e fantasia

Entre os cinco/seis e oito/nove anos, a criança está em busca do realismo mágico. Ela está extremamente suscetível à fantasia e vai querer conhecer os seres que oferecem mudança imaginativa, que percebe uma forma/característica humana em tudo. Na prosa, é comum se interessarem por personagens das fábulas, dos contos de fadas, dos mitos/mitologia, das lendas folclóricas. Na poesia, é a fase das cantigas e dos trava-línguas

3ª fase: história ambiental e leitura factual

Dos nove aos doze anos, as crianças estão numa etapa intermediária. É quando elas passam a se orientarem pelo mundo concreto. Ao mesmo tempo em que ainda há um interesse pelo realismo mágico que a leitura maravilhosa proporciona, as crianças passam a querer a desvendar o mundo.

Quem quiser escrever para esta fase pode apostar em aventuras, narrativas em que os personagens desvendam enigmas ou exploram algum problema ou alguma área geográfica e ficções científicas.

4ª fase: histórias de aventuras ou leitura apsicológica

Entre os doze e os catorze anos, os pré-adolescentes estão vivendo muitas experiências ao mesmo tempo. Essa é a fase em que começam a ter consciência da própria personalidade, querem se sentir pertencentes aos seus próprios grupos e que pode haver reações agressivas para determinadas situações vividas. Para esta etapa, muitos autores escreveram/escrevem o que é chamada de literatura sensacionalista, em que há grupos antagônicos (gangues x mocinhos) ou personagens tidas como maquiavélicas. Por outro lado, é também nesta etapa que os pré-adolescentes passam a se interessarem por histórias sentimentais. Aqui é possível escrever narrativas interativas, como as de RPGs. 

5ª fase: maturidade ou desenvolvimento da esfera lítero-estética da leitura

Dos catorze aos dezessete anos, o adolescente passa a compreender seu mundo interior e o mundo dos valores éticos. Por isso, preferem histórias que tenham aventuras viagens de conteúdo mais intelectual (que ponham os valores dos personagens à prova), romances históricos e biográficos, histórias de amor e superação, literatura engajada e do movimento own voice (que abordam questões sociais variadas: de representatividade, de gênero, de diferença de classes, de inclusão, das minorias etc.).

Vale dize que, assim como tudo na vida, esses interesses podem variar conforme o contexto social, religioso e filosófico que o seu leitor está inserido. Também é importante dizer que é fundamental que a criança e adolescente tenham acesso a maior variedade possível desses tipos de poesia/narrativas ao logo da vida. 

Considerações finais

Como vimos, o escrever para crianças é algo muito amplo e envolve compreender como esses leitores pensam e percebem o mundo para que a nossa obra seja melhor recebida por eles. Também é possível apoiar cada criança e adolescente no processo de ampliação da percepção e do entendimento do mundo, para que ele possa desenvolver o senso crítico sobre a sociedade e seu papel nela. Sabemos que a literatura não deve ter a função pedagógica propriamente dita — literatura é literatura e livro didático é livro didático, cada um com sua importância —, mas, se nós adultos podemos aprender tanto com uma boa obra literária, por que não dar essa oportunidade também aos pequenos? 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

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Olá escritores!

Já falamos anteriormente aqui no blog sobre Arquétipo do Herói, do Mentor (Velha ou Velho Sábio), e hoje vamos falar um pouco sobre o Guardião de Limiar com base no que foi apresentado no livro A Jornada do Escritor, de Christopher Vogler.

O nome pode até parecer complicado, mas o Guardião de limiar nada mais é que os obstáculos que o Herói (personagem), terá que enfrentar.  

 

Função psicológica: neuroses

 

Podem representar os obstáculos comuns, que todos nós temos que enfrentar no mundo que nos cerca: falta de sorte, preconceitos, opressão ou pessoas hostis, por exemplo. Contudo, num nível psicológico mais profundo, eles representam nossos demônios internos: as neuroses, cicatrizes emocionais, vícios, dependências e autolimitações que seguram nosso crescimento e progresso. Parece que, cada vez que a gente tenta fazer uma grande mudança na vida, esses traumas íntimos erguem-se com toda a força, não necessariamente para nos deter, mas para testar e verificar se estamos realmente determinados a aceitar o desafio da mudança.

 

Função dramática: testar

 

Na vida cotidiana, provavelmente você já encontrou resistência quando tenta fazer alguma mudança. As pessoas em volta, mesmo as que gostam de você e torcem pelo seu sucesso, muitas vezes relutam em vê-lo mudar. Estão acostumadas às suas neuroses e sabem conviver com elas, às vezes até se beneficiando disso. A ideia de uma mudança em você as ameaça. Se elas resistem, é importante que você perceba que estão apenas funcionando como um Guardião de Limiar, testando você, para verem se está mesmo motivado. Como exemplo disso temos os  tios de Harry Potter. 



Testar o Herói é a função dramática primordial do Guardião de Limiar. Quando os heróis se confrontam com uma dessas figuras, precisam decifrar um enigma, passar por um teste, ou simplesmente surgem no caminho desafiando e dificultando o caminho do Herói.

 

Normalmente, os Guardiões de Limiares não são os principais vilões ou antagonistas nas histórias. Na maioria das vezes, são capatazes do vilão, asseclas menores ou mercenários contratados para guardar o acesso ao quartel-general do chefe. Também podem ser figuras neutras. Em alguns casos raros, podem ser ajudantes secretos, colocados no caminho do Herói para testar sua disposição ou capacidade.

É bem comum existir uma relação simbiótica entre um vilão e um Guardião de Limiar. Na natureza, um animal poderoso como um urso pode, às vezes, tolerar que um animal menor, como uma raposa, faça a toca na entrada de sua caverna. Os vilões das histórias muitas vezes se apoiam em subalternos para protegê-los e avisá-los sempre que um herói se aproxima do Limiar da fortaleza em que se encontram. Um bom exemplo disso seriam os Stormtrooper, de Star Wars.

 


Nas histórias, um Guardião de Limiar pode assumir uma gama de formas diferentes. Podem se apresentar como guardas de fronteira, sentinelas, vigias, guarda-costas, bandidos, editores, porteiros, professores que aplicam exames de admissão, qualquer um cuja função seja bloquear temporariamente o caminho do herói e testar seus poderes. A energia desse arquétipo pode até não estar encarnada num personagem, mas pode ser encontrada num adereço, num elemento arquitetônico, num animal ou numa força da natureza que impeça o progresso do herói e o ponha à prova. Aprender a lidar com o Guardião de Limiar é um dos maiores testes da Jornada do Herói e um dos elementos que pode deixar sua história ainda mais interessante.  


Esperamos que vocês tenham gostando de saber um pouco mais sobre este Arquétipo . Na próxima postagem sobre o assunto iremos conhecer mais sobre o Arquétipo do Arauto.  Agora nos contem vocês costumam usar os Arquétipos como base para a criação de seus personagens? 

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

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Imagem sob licença Creative Commons por Karina_S

Descrever as cenas de um livro pode parecer muito mais complicado do que parece, envolve desde a escolha do tipo de narrador até os elementos que aparecem em cada cena. Qualquer um já leu aquela descrição que parece que dura uma eternidade e outras bem singelas feitas em apenas duas linhas.


Sempre fica a critério do escritor escolher como descrever, o que descrever e a importância daquilo na história. Às vezes, essas decisões podem ser feitas sem um planejamento enquanto outros planejam cada detalhe.


Por isso, hoje vamos falar sobre uma ferramenta literária que pode te ajudar com isso.

 

A Arma de Tchekhov.

É muito utilizada em diferentes tipos de narrativa, seja em romances, roteiros e até mesmo em jogos. A Arma de Tchekhov se refere à uma frase do autor, médico e dramaturgo alemão:


“Se no primeiro ato você colocar uma pistola na parede, no seguinte ela deve ser disparada. Em outro caso não coloque ela lá”. – Anton Pavlovich Tchekhov.


Essa frase se refere a um elemento que aparece na narrativa que, em um princípio, parece não ser importante e logo se transforma em um elemento especial. Isso porque para o autor, as histórias deveriam ser concisas e enxutas, sem perda de tempo descrevendo elementos que não são importantes para a trama.


Mas é importante saber como usar esse elemento, já que uma descrição muito detalhada de, por exemplo, um vaso de cerâmica pode dar a entender que esse objeto será muito importante para a trama, assim tirando toda a surpresa quando ele apareça para cumprir seu papel na história ou até mesmo fazendo com que o desfecho da história seja previsível.


A intenção da técnica é fazer com que o aparecimento de um objeto, em um início insignificante, se revele como algo de importância para a história. É muito importante que o autor saiba usar esse objeto no momento certo para não apresentar-se como um caso de Deus Ex Machina.

Ao longo do tempo, surgiram diferentes variações da arma de Tchekhov em como esse objeto pode ser usado na história:


1. Bumerangue de Tchekhov

É usada na trama quando um mesmo objeto é utilizado várias vezes ao longo da história em pontos específicos.



2. Presente de Tchekhov

Nesse caso o objeto especial é inserido na trama como um presente dado por ou para algum personagem.



3. A pessoa armada de Tchekhov

Ao invés de ser um objeto, é uma pessoa que vai cumprir a função desse objeto importante. Ou seja, é uma pessoa apresentada na trama que a princípio não parece ser alguém de importância e logo realiza algo de extrema importância para a história, seja um feito próprio ou algo para ajudar o protagonista.



4. Arsenal de Tchekhov

Nesse caso não é só uma arma, mas existem vários objetos que são importantes para a história. Podemos observar isso em histórias de fantasia com muitos amuletos ou elementos mágicos.



5. Arma de Tchekhov inversa

Acontece quando um objeto se apresenta como algo importante para a história, mas quando chega o momento em que ele deve ser usado, se apresenta como algo inútil, ou seja, não cumpre a função que deveria.



6. Habilidade de Tchekhov

Acontece quando o personagem possui alguma habilidade que se apresentará como algo importante no futuro.

 

E como usar essa técnica de escrita?

A Arma de Tchekhov nos faz pensar em quais elementos são realmente importantes para a trama, por isso essa técnica pode gerar os seguintes interrogantes que podem levar a uma nova estruturação na narrativa:

- Realmente preciso descrever/colocar isso?

- Isso é realmente importante ou se eu tirar ninguém vai sentir falta?

- Qual será o papel disso na minha história?

- Será que eu estou exagerando na ênfase disso e gerando um efeito não desejado? 

- Esse objeto que coloquei é uma Arma de Tchekhov ou um Deus Ex Machina?

- Como posso mudar a minha Arma de Tchekhov para que seja algo sutil e assim não dar informações de mais?


E você já conhecia a Arma de Tchekhov? Consegue identificar um elemento assim na sua trama ou em algum outro livro? Deixa aqui embaixo!

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

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Foto por Andrea Davis, via Unsplash.

Como muitos de vocês sabem, ontem, 31 de agosto, foi o dia do blog! Nossa equipe, blogueira raiz que chegou na internet quando tudo era mato, é muito entusiasta dessa ferramenta que ajuda bastante no fortalecimento da carreira literária - seja falando sobre livros, seja publicando os próprios textos. 


Nós já contamos aqui como ter um blog impulsiona a sua carreira e hoje, queremos compartilhar com vocês blogs de mulheres que são escritoras de mão cheia! Bora ler, comentar e começar a formar rede?


As moscas na janela


Escrito pela graduada e mestranda em Letras, Larissa Fonseca, o As Moscas na Janela é um blog em que o leitor pode ler poemas, contos e prosa poética, além de se deleitar com pequenas narrativas fotográficas criadas pela autora.

Leia em: www.asmoscasnajanela.com


Carioca do interior



A carioca que se aventura pelo interior é a pedagoga Priscila Gonçalves. Apaixonada pelo universo juvenil, Priscila escreve literatura, ensino, viagens e muito mais. (Você pode ler a uma entrevista que a Priscila nos concedeu, aqui.)

Leia em: http://cariocadointerior.com.br


Degradê invisível 


A advogada Luísa Scheid é a responsável pelo Degradê Invisível. Além de ser a representante brasileira no NaNoWriMo, de ter se autopublicado na Amazon e participado de antologias, Luísa publica em seu blog textos autorais, dicas para escritores e outras pautas relacionada a viagens.

Leia em: www.degradeinvisivel.com.br


Escrevi pra tirar da cabeça



Pelas mãos da poeta Anna Carolina Ribeiro, nasce o Escrevi pra Tirar da Cabeça, blog em que ela reúne as suas especialidades: literatura e yoga. Lá também é possível saber mais dos processos criativos da autora e de seu livro, Lua em Escorpião.

Leia em: http://escrevipratirardacabeca.blogspot.com


Liliane Prata



O blog leva o nome da própria autora. Jornalista e filósofa, a Lili é conhecida por textos que pinçam temas do cotidiano para pensar sobre temas importantes tanto da nossa individualidade, quanto da vida coletiva. Lá também é possível conhecer mais dos seus livros: os romances juvenis O Diário de Débora 1 e 2; os de contos, Tem alguma coisa na água e Ela queria amar, mas estava armada; a não ficção literária/filosófica, O Mundo que Habita em Nós e o romance adulto Covardes, uma versão atualizada de Sem Rumo, publicado em 2013.

Leia em: http://www.lilianeprata.com.br/cadernos/blog/


Livia Brazil



Assim como acontece com o blog da Lili, o blog da Livia Brazil também leva o nome da autora. Lá, Livia compartilha fragmentos literários com um ar poético, além de informações sobre os seus livros (Queria tanto e Coisas não ditas), cinemas e cultura.


Minha vida literária


No Minha Vida Literária é possível acompanhar as resenhas e vivências da escritora Aione Simões. Lá é possível ficar por dentro dos processos de escrita da autora e saber todas as novidades do mercado editorial em primeira mão!

Pensamentos Valem Ouro


No Pensamentos Valem Ouro, a pedagoga, poeta e blogueira Vanessa Vieira compartilha da sua literatura (tanto por escrito, quanto por meio de vídeos) e traz a própria perspectiva não só dos cânones, mas também da literatura contemporânea. (Lembrando que a Vanessa participou do nosso Compartilhando Experiências e que você pode assistir ao vídeo dela aqui.)

Reticências


As Reticências de Lucila Eliazar Neves se propõem a trazer um olhar poético ao cotidiano. No blog é possível ler tanto crônicas quanto poemas. Lá também é o modo de conhecer sobre os livros da autora.

Leia em: https://oinfinitocomtrespontos.blogspot.com/


Watermelon Curly


O Watermelon Curly é fruto dos textos literários da brasileira radicada na Noruega, Leidiane Holmedal. Lá é possível ler contos, crônicas e poemas e se informar sobre os livros da autora.


Nossa equipe

Você sabia que as nossas cofundadoras também têm seus blogs pessoais? Além de criar conteúdo para este site, cada uma delas tem o seu respectivo espaço próprio, e você é mais que bem-vindo a conhecer todos eles!


Algumas Observações 


No ar desde 2006, o Algumas Observações é escrito por Fernanda Rodrigues. Nele é possível ler os textos literários escritos pela Fernanda (poemas, poemas em prosa, crônicas e contos), saber dos livros dela, pegar dicas de escrita e de leitura, conhecer novos escritores e muito mais.


Pandinando



Escrito por Ayumi Teruya, o Pandinando nasceu em 2014 para, além da literatura, compartilhar diferentes gostos e opiniões. A intenção é que os leitores possam pandinar com a autora entre os diferentes temas, desde receitas e DIY até textos e reflexões.

Profano Feminino



Em 2010, Ane Venâncio e sua amiga Isa resolveram se aventurar pelo mundo dos blogs, criando o Profano Feminino. Elas estão por aqui até hoje buscando maneiras criativas e literárias para encarar a realidade. Por lá é possível encontrar coisas interessantes e úteis e outras não tão úteis assim, incluindo os textos literários da Ane.

E você?

Você é escritor(a) e mantém algum blog? Você lê algum blog escrito por alguém que não apareceu nas nossas listas? Você já tinha sido apresentado a algum desses blogs? Conta pra nós nos comentários deste post!

Feliz dia do blog!

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

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Olá, escritores!

É uma verdade universalmente reconhecida que todo leitor busca uma boa história. E na busca pela próxima leitura cinco estrelas e com sorte favorita da vida, não há muito tempo a perder. Boa parte das pessoas na hora de escolher um livro os escolhem por recomendação ou por já conhecer o autor. Quando esses dois itens saem de cena os parâmetros de escolha são:  a capa, título, primeiras páginas e sinopse. Então se você está começando agora uma boa opção e dar uma atenção redobrada aos 4 itens anteriores.
 
Já falamos aqui no blog que a capa é o primeiro contato do leitor com a obra, inclusive listamos 5 dicas de ouro ao fazer capa de livro, Como revelar a essência da sua história através da capa e Como fazer a sua própria capa de livro.  Hoje vamos nos aprofundar um pouco mais na importância das cores na hora de criar a capa do seu livro, uma das 5 dicas do ouro que já compartilhamos aqui. 

As cores possuem significados simbólicos, que auxiliam na criação de uma atmosfera e influenciam a percepção do conteúdo. Cada uma delas passa uma emoção, um propósito. Inclusive é importante ressaltar, que seus aspectos psicológicos dependem da cultura e das experiências de cada observador, assim como há determinadas cores que já estão associadas com temáticas específicas de livros.

Vale lembrar que as cores interagem entre si. Sua combinação em uma paleta é essencial em um projeto de design de capa, principalmente porque a união de duas cores ou mais pode mudar totalmente a percepção da mensagem que cada cor traz de maneira isolada.  E é importante que as cores escolhidas consigam transmitir a essência do seu trabalho. 

Em resumo antes de você pensar em como será a capa do seu livro é importante ter definido coisas como: 

  • Qual gênero literário seu livro se encaixa?
  • Quem é seu público alvo, seu leitor ideal?
  • Qual sensação você gostaria de transmitir com a capa do seu livro?
  • Qual formato ele será publicado? 



Você pode estar se perguntando o motivo do formato de publicação influencias na escolha das cores da sua capa certo? A reposta é simples, no design digital devemos ter uma atenção especial às cores no que diz respeito aos contrastes e às interações cromáticas, tomando cuidado com combinações de cores mais brilhantes, especialmente quando se tratada leitura de textos. As cores nas telas são mais luminosas, o que normalmente dificulta a leitura caso o contrate com o fundo não se mostre suficiente ou seja saturado e intenso demais.  Por exemplo, a capa do seu e-book no Kindle (dispositivo e não o app) irá aparecer em preto e branco e talvez isso não tenha tanto impacto. Já para quem irá ler através do computador, celular, tablet terá acesso a versão em cores, que por sua vez irá ter uma mudança de percepção de cada cor de acordo com a resolução de tela, usuário, configurações de aparelho. 


Exercício 01
Defina em três palavras as emoções que você espera que seu livro desperte nos leitores. Feito isso busca quais cores melhor se encaixam para representa-las. 

Agora que você já sabe qual mensagem deseja transmitir com sua história e consequentemente com a capa, vamos aprender um pouquinho sobre a psicologia das cores.


Como as cores afetam a razão e a emoção 


A impressão causada por cada cor é determinada pelo contexto que está inserida, ou seja, pelo entrelaçamento de significados em que a percebemos. As cores e sentimentos não se combinam ao acaso nem são uma questão de gosto individual – são vivências comuns que, desde a infância, foram ficando profundamente enraizadas em nossa linguagem e em nosso pensamento. 



Principais cores e alguns dos seus significados


Branco:  o branco sugere pureza, clareza, limpeza e frescor. Pode evocar uma sensação de vazio e infinito, trazendo simplicidade, luz, paz e harmonia, além de ser associado a higiene, ambientes insípidos e neutralidade. 



Preto: o preto pode representar silêncio e morte, denotando pessimismo, tristeza e dor. Em outros contextos, confere nobreza, elegância e distinção às composições. 



Vermelho: a cor da todas as paixões — do amor ao ódio. A cor dos reis e do comunismo. A cor da felicidade e do perigo. A cor do sangue e da vida. A cor da agressividade, da guerra. Traz força e dinamismo. Sendo uma cor essencialmente quente, transborda vida e agitação, chamando atenção para si nas mais diversas situações. Confere energia e é associado a fogo, perigo, fome, guerra, paixão, fúria e desejo. 

O vermelho unido com a cor rosa transmite inocência, já combinado ao roxo tem um efeito sedutor. Juntando vermelho, rosa e roxo remete a sexo. Junto ao preto, o vermelho adquire um significado negativo, transmitindo agressividade e brutalidade, assim como sinalizando algo proibido ou perigoso.




Rosa:  a cor do romantismo, gentileza, sensibilidade, amabilidade, ternura, otimismo e fantasia. Em suas nuances também representa o luxo, nobreza e requinte. Reforça os traços de feminilidade e cumpre melhor desempenho quando trabalhada para comunicar com o público feminino. 

Inicialmente a cor rosa era associada as características da cor vermelha, como o sangue, a forma e a masculinidade. No século XIX na Inglaterra, os homens usavam a cor vermelha e os meninos vestiam rosa, que na época era considerado um vermelho suave. Já a cor azul era utilizada para as meninas, uma vez que representava a cor da Virgem Maria, transmitindo pureza e delicadeza. 
Quando acompanhada do roxo e preto também pode ser a cor da nudez, erotismo e sexualidade. 





Laranja: irradia expansão, sendo associada à criatividade, jovialidade e à comunicação. É acolhedora, quente e íntima, remetendo a outono, pôr do sol, movimento e festividade. Sozinha ela pode passar muita diversão e pouca maturidade. Além disso, esta cor geralmente está carregada aos sentidos de olfato e paladar. 




Amarelo: quente e luminoso, costuma impor-se, seja sozinho ou em conjunto com outras cores. Pode significar alegria, atenção, felicidade, vida, angústia, otimismo ou ciúme. A cor da recreação, do entendimento e da traição. 

O amarelo combinado com o laranja e vermelho traz a sensação de lúdico, com o azul e rosa transmite amabilidade. Combinado ao cinza e ao preto, o amarelo atua sempre de modo negativo, como no acorde da inveja e do ciúme.



Verde: a cor da fertilidade, da esperança e da burguesia. Universalmente ligado à natureza, traz frescor, calma, equilíbrio, paz, prosperidade, pertencimento e harmonia. Transmite a sensação de bem-estar, tranquilidade, juventude e saúde. Essa cor também está atrelada ao dinheiro e estabilidade. 

O verde ao lado do azul e do branco possuí um efeito tranquilizador. Com o azul e amarelo dá esperança. O verde transmite um efeito salutar ao lado do vermelho e um efeito venenoso ao lado do violeta. Quanto mais vibrante o verde, mais ele transmitirá imaturidade. Por isso, se sua intenção não for essa prefira tons mais calmos e fechados. Quando mais amarelado sugere força ativa.



Azul: representa a simpatia, harmonia, fidelidade, amizade, confiança, credibilidade, tranquilidade paz e infinitude. Evoca calma e introspecção. Também remete à inovação, praticidade e virtudes intelectuais. Carrega maior seriedade e maturidade, especialmente em tons mais escuros. Quando mais claro, remete a frescor e higiene.  O céu é azul – portanto azul é também considerada a cor do divino, a cor eterna

O azul associado ao verde e vermelho causa uma impressão simpática e harmoniosa; com roxo, uma impressão repleta de fantasia; com o preto de masculinidade e grandeza.
Também é associado ao frio, céu, mar, saudade, distância, tristeza e melancolia. Quando trabalhamos apenas com cores frias remente à frieza e distanciamento. O azul é ao mesmo tempo considerado uma cor do irreal, até mesmo do ludibrio. 



Roxo: comumente associado à meditação e ao misticismo, confere um ar de sonho e magia. Pode ser vinculado à nobreza e ao poder, antigamente apenas os nobres e membros da Igreja tinham condições e permissão para vestir roxo. Algumas leis, inclusive, proibiam que cidadãos comuns a usassem.  Denota profundidade, relacionar-se a doença ou morte, egoísmo e mistério. Também pode ser associada com a teologia e feminismo.




Exercício 02

Pensando no significado e uso intencional das cores analise alguns dos principais personagens do filme Divertida mente, da Disney Pixar: Raiva (vermelho), Tristeza (azul), Alegria (amarelo), Nojinho (verde) e Medo (roxo).  Você  consegue perceber o motivo da escolha de cada cor para representar cada personagem? Você os representaria com as mesmas cores?  Alguns personagem como a Alegria e a Nojinho apresentam mais de uma cor na sua composição, você consegue explicar o motivo dessa combinação de cores? 




Exercício 03

Crie uma capa teste para sua história, mas não adicione o título. Peça a pelo menos 3 pessoas para dizer sobre o quê e qual gênero literário elas imaginam que aquela capa pertença. Feito isso, analise se as repostas que você obteve são  equivalente com o que você deseja transmitir com a sua história, o gênero que ela se encaixa e o público alvo. 


Esperamos que essa postagem seja útil para você e que te inspire na hora de criar a capa do seu livro! 


Referências:

HELLER, Eva. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. Editorial Gustavo Gili, 2013.

GUERRA, Fabiana; TERCE, Mirela. Design digital: conceitos e aplicações para websites, animações, vídeos e webgames. Editora Senac São Paulo, 2019.



 

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