Projeto Escrita Criativa — Desde 2015 reunindo pessoas que amam escrever
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Já falamos sobre a Arma de Tchekhov, Foreshadowing e Red Herring, hoje é a vez do Deus ex machina!

O termo que nasce diretamente do teatro grego que significa: “deus surgiu da máquina”. Na época se referia ao uso de uma “divindade” ou força sobrenatural que era personificada e que surgia em determinado momento para resolver o problema da trama, geralmente faziam isso descendo o ator no meio da cena utilizando um tipo de guindaste, de aí surge Deus ex machina.


Hoje em dia é utilizado quando há uma solução “muito fácil” que muitas vezes é considerada inverossímil, por isso costuma ser muito criticado. Basicamente temos uma pessoa, objeto, habilidade ou evento que surge inesperadamente e resolve um problema que era impossível de solucionar, algo que ocorre de maneira “milagrosa”.

É considerado um recurso fraco, principalmente se usado várias vezes na história, já que demonstra uma facilidade de solucionar problemas de enredos com “milagres” ou “casualidades convenientes”, ao invés de utilizar ferramentas ou artifícios trabalhados ao longo da história. É usar uma saída fácil ao invés de pensar melhor o enredo.

É proibido usar o Deus ex machina? Claro que não! Pode ser útil e até servir de teor cômico dependendo da ideia ou do estilo da sua história. A ideia não é não usar, mas sim saber quando usar e se tem sentido.

Exemplos de Deus ex machina:

1. Os sapatinhos de Dorothy em O Mágico de Oz, ao chegar no final da história, temos a dúvida de como a garota retornará a casa, a resposta é simples e não está trabalhada ao longo da trama, Glinda magicamente e convenientemente se lembra que os sapatos possuem o poder de leva-la a casa.

2. Em Endgame de Avengers temos a viagem no tempo utilizada para desfazer o estalo de Thanos, onde ocorreu uma descoberta casual da mecânica quântica. Assim como a chegada da Capitã Marvel contra o vilão na batalha final.

3. A espada de Gryffindor aparecendo magicamente para o Harry quando ele está enfrentando o basilisco. 


E você, conhece algum outro exemplo de Deus ex machina?

 

 


Filmes, séries e livros tem muito em comum enquanto à narrativas, a própria Jornada do Herói é utilizada por escritores e roteiristas. Por isso, hoje trazemos algo que é importante prestar atenção para evitar que aconteça em nossas histórias, ou talvez (dependendo da intenção que tenha), utilizá-la.

A Flanderização é um termo que surgiu por conta do personagem Ned Flanders do seriado Os Simpsons. Onde inicialmente o personagem possuía certa profundidade, era o vizinho do Homer, pai de família, um homem muito direito que estava sempre disposto a ajudar e também com certo caráter religioso. Porém com o passar das temporadas todas essas características foram ofuscadas e o caráter religioso tomou um lugar caricaturesco e até obsessivo, convertendo-se completamente em sua personalidade, utilizando disso para gerar situações cômicas na série.

Costuma acontecer em séries de longa duração, já que com a mudanças de roteiristas e equipe, costumam pegar o traço mais marcante para continuar escrevendo o personagem.

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Imagem retirada da Wikipédia sobre Flanderização

Esse processo de Flanderização, não afeta somente séries, mas também filmes, jogos e livros, e costuma ser identificada como um sintoma da queda de qualidade da escrita onde o personagem perde parte da sua profundidade e é representado somente por uma característica exagerada.


Ao escrever uma série de livros, é importante ficar de olho para que os seus personagens não terminem caricaturescos ou percam a essência que você pensou originalmente (a menos que seja essa a sua intenção). É importante lembrar-se que os personagens são feitos de várias características e experiências próprias dentro de suas realidades, por isso definir um personagem a uma só característica que se expressa de maneira exagerada, possa não ser tão agradável para os leitores. Aqui no Projeto temos vários posts que podem ajudar você a escrever os seus personagens dando mais profundidade para eles como: 

Os Temperamentos: como utilizá-los na construção dos seus personagens

O texto fala: tradições nos livros, Arquétipos na construção de personagens: Pícaro

Arquétipos na construção de personagens: Camaleão 

Arquétipos na construção de personagens: Arauto 

Arquétipos na construção de personagens: Guardião de Limiar 

Arquétipos na construção de personagens: MENTOR 

Arquétipos na construção de personagens: HERÓI 

Arquétipos na construção de personagens 

Dicas para construção de personagens 

O texto fala: as vozes dos personagens 

Criação de personagem: Como definir uma personalidade mais realista.

Também existe a Flanderização inversa, onde um personagem em um início muito caricato passa por um processo ao longo da história e acaba tornando-se mais real e com mais profundidade.

E você, já conhecia esse termo? Há algum outro personagem que você conhece que passou por uma Flanderização?


A foto desgastada no porta-retratos mostra tudo aquilo que lutamos para esconder. O sorriso largo no melhor dia das nossas vidas, há muito, já não faz parte da nossa rotina. O seu olhar antes confiante e apaixonado agora vive desviando do meu, sua mão escapando da minha… Às vezes me pergunto onde foi que nos perdemos, mas logo afasto a ideia. Afinal, está tudo bem. Sempre está tudo bem.

As mentiras que contamos aos poucos se tornam verdades difíceis de engolir, mas olhos atentos perceberiam que o fim é só questão de tempo. Hoje em dia, porém, ainda se presta atenção em algo ou alguém?

O nosso tão invejado castelo começou a ruir bem antes de dizermos o tão esperado “sim”. Expectativas desleais de dois jovens que quiseram ter tudo ao mesmo tempo, mas se esqueceram de que tudo é coisa demais para se carregar sozinho quando se decide construir uma vida a dois.

Ainda que eu negue, sinto algo em mim mudar. E eu juro que não quero me ressentir das escolhas que fizemos, mas não consigo. Digo que não me importo, mas é tudo fingimento. Sinto demais todos os seus silêncios, sua mente distante em um corpo presente. Sei que, enquanto for conveniente, você vai tentar esconder, vai me deixar no escuro até que seja tarde demais.

Mas eu te conheço melhor do que ninguém e, no fundo, nós não somos assim tão diferentes. Talvez esse tenha sido nosso primeiro erro. Não vou mais ficar aqui esperando o momento em que você se dê conta do que está abrindo mão. Já não somos tão jovens, mas ainda há tanta vida pulsando em mim que não posso mais negar: o tempo não espera por ninguém — e, como ele, eu também não.

Olho novamente para a foto e me dou conta que nunca gostei dela. Na verdade, eu sempre odiei como ressalta meus piores ângulos. Mas você estava tão bonito e gostava tanto dela que deixei pra lá. E me pego pensando em quantas coisas deixei pra lá só porque te faziam bem. 

Retiro a foto do porta-retratos com cuidado. Guardo-a em uma caixinha de madeira esculpida à mão — um dos primeiros presentes que você me deu, e talvez o meu favorito. Ali deixo também o que não quero esquecer, mas não posso mais carregar. Deixo o porta-retratos exatamente no mesmo lugar. Será que um dia você notará que há algo faltando?

Pode parecer besteira, mas ao fechar a caixa sinto algo mudar no ar. O silêncio que fica é diferente. Não dói. Não implora. Apenas existe.

E, pela primeira vez em muito tempo, isso é suficiente.





Sobre o autora: 

Pisciana, mato-grossense, escritora, designer, ilustradora e cofundadora do Projeto Escrita Criativa. Atua na intersecção entre arte, comunicação e criatividade, sempre com um olhar sensível para o cotidiano e as emoções humanas. Apaixonada por livros, palavras e processos criativos, acredita que viver uma vida com imaginação e sensibilidade é também um ato de resistência. Prefere chá a café, observa o mundo com olhos atentos e coração aberto, e procura enxergar o lado bom da vida, mesmo quando ele parece se esconder. Escreve para quem precisa de uma pausa, um respiro, uma inspiração ou um recomeço. É autora do livro Para onde foram as borboletas?, e também escreve no blog Profano Feminino. 


Sobre o texto: 

Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita, cujo tema de abril de 2026 é: Mentiras que contamos. 

 Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.


 


Se você está pensando em publicar de maneira independente e precisa do ISBN, Ficha Catalográfica e o Código de Barras para o seu livro, a CBL é o lugar certo! O processo é rápido, fácil, tudo feito online e com entrega de até dois dias úteis.

Mas por quê o meu livro precisa de tudo isso?

Imagine que o ISBN é o RG (ou CIN) do seu livro, ou seja, o número de registro que o identifica, temos este post com mais detalhes sobre o ISBN.

Já a Ficha Catalográfica é a certidão de nascimento do seu livro, com informações de lugar, data de lançamento, edição etc. Utilizado na catalogação, padronização e localização do seu livro, deve ser feito por um(a) bibliotecário(a) registrado(a).

Já o Código de Barras é como se fosse a carteira de trabalho facilitando a entrada do seu livro nas livrarias. Ele automatiza a leitura do ISBN, tornando mais prática a identificação no sistema das livrarias, muito importante para a comercialização.

Agora que você já sabe, vamos ao nosso passo-a-passo.


Entre na CBL

Entre no seguinte link e faça o seu cadastro ou login na CBL. 


Uma vez que você faça o cadastro e entre no site, selecione ISBN para realizar o pedido (a partir do pedido do ISBN também vamos fazer o da ficha e do código de barras).


Há duas opções de ISBN, individual ou lote. O lote é mais recomendado no caso de querer registrar vários ISBN, ferramenta útil para as editoras.


Completando as informações

Complete com os dados da obra como indicado abaixo.


Acrescente o nome das pessoas envolvidas no seu livro (Autor, capista, diagramador, revisor…).


Atenção às opções disponíveis.


Uma vez acrescentado deveria ficar da seguinte forma:



Escolha o formato do seu livro.


Livro Digital

Selecione entre os diferentes formatos disponíveis.


Selecione o formato do arquivo.


Complete as informações restantes.


Livro físico

Selecione o formato da obra.


Complete as informações restantes.


Continuando com o processo…

Os próximos passos estão presentes tanto para físico como digital, selecione o público da sua obra.


Selecione o assunto do seu livro, a lista é longa! Olhe com atenção e escolha o assunto correto ou o que mais se assemelhe.


Coloque as palavras-chave.


Se a sua obra tiver algum acessório, selecione qual.


Código de Barras

Selecione a caixa se quiser receber o Código de Barras do seu livro.

 


Catalogação

Selecione a caixa se quiser receber a Ficha Catalográfica do seu livro.

 


Envio de arquivo

No final eles pedirão o envio de um arquivo, pode ser da obra completa ou das primeiras páginas, além da sinopse. Não é necessário que o livro esteja diagramado nesse passo, o importante é o conteúdo. Aceite os termos. 


Pagamento

Na próxima página aparecerá um resumo com o valor final (são cobrados valores diferentes porque são 3 serviços), escolha o método de pagamento mais conveniente.

 


Depois de realizado o pedido, você receberá um e-mail com a confirmação e também quando tudo estiver pronto.

IMPORTANTE: Lembrando que o ISBN do livro físico é diferente do livro digital, já que possuem informações diferentes. Então sim, você deve fazer um pedido diferente para o livro digital e para o livro físico. 




Teoria do conto era uma obra esgotada, até que a editora Autêntica resolveu relançá-la, para a sorte de todos os estudantes, professores e amantes de crítica e teoria literária. Sua autora, Nádia Battella Gotilib é professora aposentada do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP) e este livro traz aos leitores um compilado de parte do conteúdo que ela domina sobre o gênero conto. Como ela mesma diz na "Nota da autora", houve uma atualização nesta nova edição:


Nos últimos anos, objetivando edição revista e aumentada, acrescentei leitura de teóricos e contistas, mas com o cuidado de não me alongar nas considerações, de modo a preservar a concepção original do livro, marcado por capítulos breves.
Nádia Battella Gotilib

De fato, o livro é fino e os capítulos continuam breves, entretanto isso não faz do livro raso. Como toda boa professora, Nádia Battella Gotlib é hábil tanto nas explicações, quanto nos exemplos que apresenta, fazendo um panorama desde o que se pode considerar as origens do conto até os moderníssimos microcontos. Ela costura muito bem grandes teóricos, que normalmente também são escritores, a exemplo de Edgard Allan Poe, Ricardo Piglia, James Joyce, Horácio Quiroga e Julio Cortázar de modo que nós, leitores-estudantes-escritores, passamos a compreender tanto o que é considerado como conto clássico, bem como todas as muitas contradições nas diversas definições existentes para este gênero.

Para quem já conhece esse referencial teórico (que era o meu caso), foi interessante ver como a professora articula todos eles para criar uma trilha de aprendizagem coerente. Para que não conhece esses referenciais teórico, o livro é uma boa porta de entrada, já que ela esmiúça o que esses teóricos dizem, tornando muitos desses textos citados mais palatáveis. 

Como professora, é interessante notar que ela busca fazer todas as explicações como se ela estivesse em uma conversa: a linguagem é simples, clara, objetiva. Além disso, o livro apresenta uma bibliografia comentada — o que facilita muito a pesquisa de quem está começando a ter contato com esse tipo de texto / pesquisa — e um vocabulário crítico, em que há uma lista de termos literários com suas respectivas explicações.

Definitivamente, Teoria do conto é um livro útil tanto para leitores que querem ler e escrever mais sobre o gênero, quanto para estudantes, professores e, claro, escritores do gênero.

Capa.

Livro: Teoria do conto
Autora: Nádia Battella Gotlib
Apresentação: Italo Moriconi
Editora: Autêntica
Páginas: 136
Coleção: Textos Singulares
Apresentação: Teoria do Conto, de Nádia Battella Gotlib, é uma referência indispensável para estudantes e amantes da narrativa curta. Em linguagem acessível e estruturada, a autora aborda desde as origens do conto, sua evolução e definições, até as contribuições de teóricos como Poe, Propp e Tchekhov. Com exemplos literários que atravessam épocas e culturas, o livro explora os elementos essenciais do conto, como brevidade, unidade de efeito e compactação textual, tornando-se um guia essencial para compreender e apreciar essa forma literária única.

*Resenha postada originalmente no site Algumas Observações, 
da nossa cofundadora Fernanda Rodrigues.

Todos os anos fala-se muito sobre tendências. Mas, para quem cria — especialmente para quem escreve — elas não deveriam ser encaradas como regras rígidas ou previsões fechadas sobre o futuro. Tendências dizem menos sobre o que vai acontecer e mais sobre o que já está acontecendo.

Em 2026, elas funcionam como espelhos de estados emocionais coletivos: revelam cansaços acumulados, desejos ainda pouco formulados e movimentos de rejeição ao excesso de filtro, de perfeição, de neutralidade sem contexto. Ao mesmo tempo, apontam aquilo que as pessoas querem ver refletido nas histórias que consomem: mais verdade, mais profundidade, mais humanidade. Afinal toda tendência é uma reposta coletiva para uma pergunta maior. 

Mais do que indicar “o que está em alta”, esta postagem propõe um convite à observação do agora e à transformação desse presente em narrativa, linguagem e imaginário. Porque tendências não são regras. São fontes de inspiração, especialmente valiosas para quem escreve, constrói universos e cria sentido em meio à incerteza cotidiana. 


Fugir das telas para criar o agora

Se no período pandêmico as pessoas ficaram hiperconectadas, agora o movimento parte para o lado oposto. A ideia é se desconectar para criar conexões reais no offline. Não se trata apenas de desligar o celular, mas de usar as mãos para interagir com o mundo físico.

Provavelmente você deve ter notado, no ano passado, o aumento da procura por livros de colorir, aulas de cerâmica, crochê, tricô, bordado, pintura, desenho, lettering, colagem, culinária e dança, por exemplo. Neste ano, a tendência é que a busca por atividades fora das telas continue crescendo.

Tendo isso em mente, surge uma oportunidade de explorar o ambiente ao redor e se aventurar a testar algo novo pela primeira vez, ampliando o próprio repertório.

No mercado editorial: observa-se um aumento na procura por livros interativos e por livros que ensinam atividades manuais. Também cresce o interesse por ficções de cura e pela Cozy Fantasy, que oferecem “conforto cognitivo” e promovem, de certa forma, acolhimento emocional.

Alguns exemplos: Murdoku: 80 mistérios para resolver usando a lógica | Hirameki: Desenhe o que você vê | Um pouco do mundo todo: 100 desenhos para arriscar | Agatha Christie: mais de 100 mistérios interativos | Murdle: Volume 1 | Detetive: O Caso do Diamante Dumpleton | Desenhando letras: Um guia prático para dominar a arte de escrever à mão | Um mistério de Natal | Decidi viver como eu mesma | A loja de cartas de Seul | A doceria mágica da Rua do Anoitecer


O ano da imperfeição intencional

Em tempos de popularização do uso da IA, esta tendência surge como uma resposta direta ao excesso. Se a inteligência artificial gera textos, áudios, vídeos e imagens praticamente perfeitos, o humano se destaca pelo erro, pelo rascunho da ideia e pelo olhar criativo que guia o processo.

No mercado editorial: há uma valorização da estética zine (fanzine), especialmente entre artistas independentes. Capas com tipografia feita à mão (lettering), ilustrações em estilos como aquarela, doodle, flat, vetorial e paper cut, além de diagramações que remetem a colagens, ganham espaço.

Também é possível observar um aumento do interesse por histórias inspiradas em vivências reais ou com personagens complexos e imperfeitos, dilemas morais e conflitos que questionam o que é certo e errado.

Alguns exemplos: Uma delicada coleção de ausências | Meridiana | Canção para ninar menino grande | Uma vida e tanto | A empregada | Dom Casmurro | Emma | Quarto de despejo: diário de uma favelada


Renascimento latino e o "Brasil Core"

A cultura pop global tem voltado os olhos para a América Latina. Depois da onda coreana (K-pop e K-dramas), que ainda segue forte, cresce o interesse pela estética, energia e pelo realismo mágico latino-americano. Provavelmente você já se deparou com a frase “latina demais pra ser minimalista”, com o novo álbum do Bad Bunny ou com o Projeto Dominguinhos. São apenas alguns exemplos, mas, em tempos incertos e diante das mudanças políticas em curso, ter orgulho das próprias raízes torna-se um ato de resistência.

Voltando o olhar para o Brasil, há algum tempo o “jeitinho brasileiro” vem ganhando espaço no exterior. Seja no cinema, na moda, na literatura, na música ou na culinária, o Brasil tem se feito presente e despertado atenção.

No mercado editorial: cresce a busca por histórias que representem o país em toda a sua pluralidade. Em meio ao avanço da IA e ao distanciamento provocado pelo digital, as pessoas sentem falta de calor humano, representatividade, cor, memória e sotaque.

Como disse o ator Wagner Moura em seu discurso ao receber o Globo de Ouro de Melhor Ator:

 “O Agente Secreto é um filme sobre memória — ou sobre a falta de memória — e sobre trauma geracional. Acho que, se o trauma pode ser passado entre gerações, os valores também podem. Então isso é para aqueles que permanecem fiéis aos seus valores em momentos difíceis.”

Somos um povo criativo e cheio de histórias para contar. Que tal aproveitar esse momento para dar vida às suas ideias e mostrar que o brasileiro tem molho?

No mercado editorial: o realismo mágico e o folclore brasileiro (cangaceiros, mitos indígenas, lendas urbanas), com uma linguagem pop e contemporânea, podem ser boas apostas. Também vale explorar a nostalgia de outrora: histórias ambientadas em eras pré-smartphone (anos 90 e 2000) ganham força não apenas pela estética, mas porque exigem presença, afinal os personagens não podem resolver tudo com uma busca no Google ou com o ChatGPT.

A ficção especulativa também tende a ganhar destaque ao abordar temas atuais sob novas perspectivas. O leitor não quer apenas histórias sobre dias apocalípticos  — para isso, basta assistir ao noticiário. Ele quer saber como vamos sobreviver ao fim do mundo. Está em busca de uma dose de esperança.

Alguns exemplos: Auto da Compadecida | Torto Arado | Salvar o Fogo | Coração sem Medo | A cabeça do santo | Solitária | Bala no Alvo, Dente de Leão | A história que nunca vivemos | Garras | Feras em campo | A Sociedade das Ilhas Submersas | Ideias para adiar o fim do mundo | Memórias do cacique 

Curadoria humana e conexões reais

As pessoas estão cansadas de não saber mais o que é real e de se tornarem reféns dos algoritmos. Nesse cenário, cresce a busca pelo que é confiável. Leitores tendem a valorizar a opinião de amigos, professores, resenhas em blogs e canais especializados, com gostos semelhantes aos seus, em vez de seguir apenas os best-sellers genéricos do TikTok.

No mercado editorial: há um retorno das comunidades de nicho presenciais. Clubes do livro / de leitura que se reúnem em cafés, bibliotecas comunitárias e feiras literárias, além do fortalecimento das figuras do livreiro e do bibliotecário como verdadeiros “sommeliers de histórias”.


A busca por novas alternativas

A instabilidade da Amazon  (mudanças abruptas de regras, banimentos sem explicação clara e saturação de conteúdo gerado por IA), somada às transformações nas redes sociais, tem levado autores a buscar novas formas de monetizar seu trabalho e criar relações mais próximas com o público.

Nesse contexto, podermos ver um aumento de autores explorando a serialização, com histórias lançadas capítulo a capítulo em plataformas mobile, mas com qualidade editorial profissional, afastando-se do amadorismo comumente associado às fanfics. Também ganham espaço blogs, newsletters e grupos fechados, que oferecem mais liberdade criativa e contato direto com os leitores, além da diversificação da presença entre plataformas.

Além disso, investir na presença física, como em feiras literárias, encontros em bibliotecas, livrarias e escolas,  pode ser uma excelente alternativa para divulgar o trabalho e criar conexões reais. 

No fim das contas, falar de tendências não é sobre correr atrás do próximo “novo”, mas sobre escutar com atenção o que o presente está tentando dizer. Em um mundo acelerado, saturado de estímulos e certezas artificiais, escrever e criar,  torna-se um ato de presença, escolha e sensibilidade.

As histórias que ganham força agora nascem do contato com o real: com o corpo, com a memória, com o território, com o outro. Elas não buscam perfeição, mas verdade. Não oferecem respostas prontas, mas abrem espaço para perguntas muitas vezes difíceis, mas  necessárias.

Que 2026 seja menos sobre seguir fórmulas e mais sobre cultivar repertório, identidade e escuta. Porque, quando a criação parte do agora e se conecta com o que é vivido, nenhuma tendência passa, ela se transforma em linguagem, estilo, assinatura e permanência.




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Olá, escritores!
Ser tanto escritora, quanto leitora e produtora de conteúdo literário na internet é estar atenta ao calendário literário anual para participar de eventos, descobrir novos autores e livros e fazer conexões — sejam elas com editores e autoras, sejam elas com o público leitor. 

Sendo assim, fiz a nossa já tradicional lista de eventos literários que já sei que vão acontecer e resolvi compartilhar com vocês. Irei a todos os eventos? Não. Mas é bom tê-los no radar. Quem sabe a gente não se encontra por lá?

  • 08 a 12 de abril: FLIZN - Feira Literária da Zona Norte (São Paulo, Brasil)
  • 08 a 12 de abril: 6ª Feira Literária de Tiradentes - FLITI (Minas Gerais, Brasil)
  • 15 a 21 de abril: Feira do Livro da Bahia (Salvador, Brasil)
  • 21 a 24 de abril: Feira do Livro de Buenos Aires (Argentina)
  • 23 de abril: Noite das livrarias (São Paulo, Brasil)
  • 25 de abril a 03 de mail: 20° Festival Literário Internacional de Poços de Caldas - FLIPOÇOS (Minas Gerais, Brasil)
  • 13 a 16 de abril: Feira do Livro de Bolonha (Itália)
  • 26 de abril: Flifantasy - Festival Literário de Fantasia (São Paulo, Brasil)
  • 27 e 28 de abril: FILBO - Feira Internacional do Livro de Bogotá (Colômbia)
  • 13 a 17 de maio: Feira do Livro da UNESP (São Paulo)
  • 16 e 17 de maio: Festa Literária de Santa Teresa - FLIST (Rio de Janeiro, Brasil)
  • 21 a 31 de maio: 22º Feira do Livro de Joinville (Santa Catarina, Brasil)
  • 30 de maio a 07 de junho: A feira do livro (São Paulo, Brasil)
  • 29 de julho a 02 de agosto: Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP (Rio de Janeiro, Brasil)
  • 05 a 09 de agosto: Flipelô - Festa Literária Internacional do Pelourinho (Bahia, Brasil)
  • 08 a 16 de agosto: 10ª Feira do Livro de Guaxupé – FLIG (Minas Gerais, Brasil)
  • 04 a 13 de setembro: 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (São Paulo, Brasil)
  • 24 a 27 de setembro: Feira do Livro de Gotemburgo (Suécia)
  • 07 a 11 de outubro: Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha)
  • 30 de outubro a 15 de novembro: Feira do Livro de Porto Alegre (Rio Grande do Sul, Brasil)
  • 29 de novembro a 07 de dezembro: Feira do Livro de Guadalajara (México)
  • 03 a 06 de dezembro: CCXP 2026 (São Paulo, Brasil)

Escritores e leitores, as datas estão aí para todo mundo poder atualizar o calendário. Bora?!



no cruzar de caminhos,
na esquina ao acaso,
no não sei se vou ou se fico
na janela ou no abismo:
nossos olhares se cruzam.

na juventude ou na velhice,
na hora marcada ou inexata,
no inverno seco ou no verão molhado,
no seguir a pé ou no travar do trânsito:
nossos olhares se tocam.

você com cachorro, eu com gato,
você e seu chá, eu e meu espresso,
você acordando cedo, eu indo madrugada adentro,
você amando inverno, eu preferindo verão:
nossos olhares travam.

pessoa certa na hora errada:
a vida exemplificando
que rejeição é ato de ser protegido
por algum dos deuses e seus discípulos.


💡💡💡

Sobre a autora:

Fernanda Rodrigues é uma paulistana apaixonada por gatos e café. Atualmente é professora de escrita literária, de português e de inglês, escritora, revisora, preparadora de textos, leitora crítica, palestrante e cofundadora do Projeto Escrita Criativa. De formação, é especialista em Psicopedagogia, (Anhembi-Morumbi), em Docência em Literatura e Humanidades (FMU) e em Formação de Escritores e Produção e Crítica de Textos Literários (ISE Vera Cruz), além de ser bacharel e licenciada em Letras — Português/Inglês (USJT) e pós-graduanda em Revisão de Textos (FMU). É autora dos livros de poesia A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos (2019) e Rasgos dentro da minha própria pele (2022), ambos publicados pela Editora Litteralux (antiga Penalux), de La intermitencia de las cosas: sobre lo que hay entre el vacío y el caos (2024), publicado pela Caravana Editorial e do didático Narrativas Digitais: narro, logo existo! Registrar o meu mundo e construir histórias (2021), lançado pela Fundação Telefônica Vivo. É 3º lugar no Prêmio SESC Crônicas Rubem Braga (2017) e tem textos em diversas antologias. Também escreve no site Algumas Observações, no ar desde junho de 2006.

💡💡💡

Sobre o texto:

Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita,
cujo tema de março de 2026 é pessoa certa na hora errada.
Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.

Este texto foi escrito e publicado originalmente no site Algumas Observações,
da nossa cofundadora, Fernanda Rodrigues.


Como Escrever Histórias, de Raoni Marqs, é um guia prático para quem deseja aprimorar a arte de contar histórias. Publicado originalmente de forma independente em 2016, o livro ganhou uma nova edição pela Editora Seguinte em 2025, que é a versão utilizada nesta resenha. Ao longo da obra, o autor nos convida a embarcar em uma jornada para descobrir os segredos milenares da escrita de maneira leve e divertida.

Com exemplos retirados do cotidiano e da cultura pop, Raoni demonstra como as técnicas narrativas são aplicadas na prática e como podem nos ajudar a organizar ideias, sem nos prender a fórmulas engessadas ou cair no lugar-comum. A proposta é aprender as regras de forma acessível para, posteriormente, saber quebrá-las de maneira criativa, entregando histórias que surpreendam positivamente o leitor.


O livro é dividido em duas partes principais.

Na Parte 1, intitulada “Várias coisas”, o autor aborda os fundamentos da criação de histórias, passando por tópicos essenciais como:

  1. conceito;
  2. trama;
  3. logline;
  4. tema;
  5. construção de personagens (herói e vilão).

Nessa etapa, Raoni destaca a importância de definir com clareza a ideia central da história e de encontrar o gênero mais adequado antes de avançar para os próximos passos do processo criativo.


Escrever é muito mais fácil do que planejar uma história. Decidir o que acontece, por que acontece e quais os elementos que compõem a trama é o verdadeiro desafio. 


Já a Parte 2, chamada “Estruturas”, é dedicada à organização narrativa propriamente dita. Nela, o autor apresenta modelos e ferramentas clássicas para estruturar uma história, como a estrutura de três atos e a famosa jornada do herói, além de outras abordagens criativas.

Ao longo dessa parte, Marqs se esforça para manter as explicações o mais simples possível, recorrendo, por exemplo, a piadas para demonstrar como funcionam os mecanismos de uma história. Essa escolha torna o conteúdo mais acessível e ajuda o leitor a compreender conceitos complexos de forma prática e bem-humorada.


Vale destacar também que o livro conta com diversas ilustrações divertidas, feitas no estilo de rabiscos, que ajudam a reforçar o tom leve da obra. Entre elas, há inclusive um personagem recorrente que pode lembrar, ainda que de leve, o famoso “cara de bigode” personagem que vire e mexe rouba a cena aqui no Projeto. 😅

Sem dúvidas, Como Escrever Histórias é um excelente ponto de partida para quem deseja dar os primeiros passos na escrita. Um guia que pode ser revisitado diversas vezes e que nos lembra que escrever pode, e deve ser uma atividade divertida.





Livro: Como escrever histórias
Autor: Raoni Marqs
Editora: Seguinte
Páginas:  206
Sinopse: Neste guia definitivo para vencer a página em branco, Raoni Marqs mostra que todo mundo pode criar uma boa história. Você teve uma ideia, sentou para escrever e no fim das contas não saiu nada? Por onde começar sua história? Em que gênero ela se encaixa? O que é importante numa narrativa? E como organizá-la da melhor forma?
Calma! Você encontrou o livro certo para te ajudar com essas e muitas outras dúvidas. Com exemplos práticos, referências da cultura pop, milhões de ilustrações, um humor curioso (mas muito eficaz!) e empatia pelos erros que você pode (e vai!) cometer, esse livro vai te pegar pela mão e mostrar, passo a passo, como botar sua ideia no papel.


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Não importa onde você esteja e como você se parece. Crie o seu próprio estilo. Seja único para si e, no entanto, identificável para os outros. A criação começa profundamente por você mesmo. Inspire-se no meu mundo e dê um impulso extra à sua vida. Então mostre-se mais e seja apenas você ♥

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