quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Arquétipos na construção de personagens: Guardião de Limiar


Olá escritores!

Já falamos anteriormente aqui no blog sobre Arquétipo do Herói, do Mentor (Velha ou Velho Sábio), e hoje vamos falar um pouco sobre o Guardião de Limiar com base no que foi apresentado no livro A Jornada do Escritor, de Christopher Vogler.

O nome pode até parecer complicado, mas o Guardião de limiar nada mais é que os obstáculos que o Herói (personagem), terá que enfrentar.  

 

Função psicológica: neuroses

 

Podem representar os obstáculos comuns, que todos nós temos que enfrentar no mundo que nos cerca: falta de sorte, preconceitos, opressão ou pessoas hostis, por exemplo. Contudo, num nível psicológico mais profundo, eles representam nossos demônios internos: as neuroses, cicatrizes emocionais, vícios, dependências e autolimitações que seguram nosso crescimento e progresso. Parece que, cada vez que a gente tenta fazer uma grande mudança na vida, esses traumas íntimos erguem-se com toda a força, não necessariamente para nos deter, mas para testar e verificar se estamos realmente determinados a aceitar o desafio da mudança.

 

Função dramática: testar

 

Na vida cotidiana, provavelmente você já encontrou resistência quando tenta fazer alguma mudança. As pessoas em volta, mesmo as que gostam de você e torcem pelo seu sucesso, muitas vezes relutam em vê-lo mudar. Estão acostumadas às suas neuroses e sabem conviver com elas, às vezes até se beneficiando disso. A ideia de uma mudança em você as ameaça. Se elas resistem, é importante que você perceba que estão apenas funcionando como um Guardião de Limiar, testando você, para verem se está mesmo motivado. Como exemplo disso temos os  tios de Harry Potter. 



Testar o Herói é a função dramática primordial do Guardião de Limiar. Quando os heróis se confrontam com uma dessas figuras, precisam decifrar um enigma, passar por um teste, ou simplesmente surgem no caminho desafiando e dificultando o caminho do Herói.

 

Normalmente, os Guardiões de Limiares não são os principais vilões ou antagonistas nas histórias. Na maioria das vezes, são capatazes do vilão, asseclas menores ou mercenários contratados para guardar o acesso ao quartel-general do chefe. Também podem ser figuras neutras. Em alguns casos raros, podem ser ajudantes secretos, colocados no caminho do Herói para testar sua disposição ou capacidade.

É bem comum existir uma relação simbiótica entre um vilão e um Guardião de Limiar. Na natureza, um animal poderoso como um urso pode, às vezes, tolerar que um animal menor, como uma raposa, faça a toca na entrada de sua caverna. Os vilões das histórias muitas vezes se apoiam em subalternos para protegê-los e avisá-los sempre que um herói se aproxima do Limiar da fortaleza em que se encontram. Um bom exemplo disso seriam os Stormtrooper, de Star Wars.

 


Nas histórias, um Guardião de Limiar pode assumir uma gama de formas diferentes. Podem se apresentar como guardas de fronteira, sentinelas, vigias, guarda-costas, bandidos, editores, porteiros, professores que aplicam exames de admissão, qualquer um cuja função seja bloquear temporariamente o caminho do herói e testar seus poderes. A energia desse arquétipo pode até não estar encarnada num personagem, mas pode ser encontrada num adereço, num elemento arquitetônico, num animal ou numa força da natureza que impeça o progresso do herói e o ponha à prova. Aprender a lidar com o Guardião de Limiar é um dos maiores testes da Jornada do Herói e um dos elementos que pode deixar sua história ainda mais interessante.  


Esperamos que vocês tenham gostando de saber um pouco mais sobre este Arquétipo . Na próxima postagem sobre o assunto iremos conhecer mais sobre o Arquétipo do Arauto.  Agora nos contem vocês costumam usar os Arquétipos como base para a criação de seus personagens? 

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