quarta-feira, 29 de setembro de 2021

O que é e como usar o Foreshadowing

 

Foto sob licença Creative Commons por Congerdesign

Há algumas semanas fizemos um post sobre a Arma de Tchekhov e a importância de não colocar elementos supérfluos na trama, mas sim aqueles que serão usados ao decorrer da história. Nesse sentido, desde a ideia de elementos que aparecem na história, também podemos falar sobre a técnica do Foreshadowing.

 

 

Foreshadowing.



É uma ferramenta literária bastante usada em diferentes tipos de narrativa, assim como a Arma de Tchekhov, ela pode ser encontrada em livros, filmes, séries e até mesmo em jogos. Ela consiste em pequenas pistas ao longo da narrativa que remetem a eventos que ocorrerão no futuro, ou seja, uma "sombra" do que está por vir.

 

Muitos autores quebram a cabeça na hora de usar o foreshadowing, porque o seu principal objetivo é não deixar na cara o que vai acontecer, mas sim gerar aquela famosa “pulga atrás da orelha” que faz com que os leitores criem diferentes hipóteses ou teorias do que pode acontecer ou daquilo que está acontecendo.

 


Se colocarmos esse conceito em prática, podemos dizer que é uma forma “divertida” que o autor utiliza para falar de algo importante sem que o leitor perceba, “jogar na cara” algo que pode “explodir” a cabeça daqueles que chegam ao final da história, causando um efeito de: “ah, agora aquilo faz sentido”.

 

Isso gera um efeito interessante nos leitores quando é realizada uma segunda leitura, já que pode fazer com que muitos pensem: “nossa, isso está desde o começo e eu não percebi”, “já no começo eu poderia saber o fim” ou “estava tão na cara”.

 

O foreshadowing pode ser aplicado de diferentes maneiras:

 

- Pode ser uma piada ou comentário feito por um personagem.

Em uma conversa que parece ser de menor importância para a história, o autor pode colocar elementos na fala dos personagens que revelam algo que acontece no futuro.

Exemplo: Fulano brinca sobre a possibilidade de estarem em uma realidade paralela (quando não há indícios disso, obviamente) e no final descobrimos que isso é verdade.

 

- Pode ser uma ação:

Um exemplo claro disso é em Harry Potter quando o Quirrell evita qualquer contato físico com o Harry. A princípio gera uma estranheza no leitor e isso logo é explicado quando descobrimos que ele não o tocava porque o Voldemort estava em seu corpo e era ele quem não podia ser tocado pelo garoto que sobreviveu.

 


- Pode ser uma profecia:

Muitos livros de fantasia utilizam as profecias que deixam os leitores curiosos sobre o que irá acontecer. Geralmente, o enredo está cheio de situações que podem estar relacionadas com a tal profecia fazendo com que o leitor acredite que ela foi cumprida, porém, somente no final é revelado o verdadeiro sentido, fazendo com que tudo faça “click” na cabeça do leitor.

 

- Pode ser um detalhe.

Aqui podemos relacionar bastante com a arma de Tchekhov, algum objeto que aparece na trama, porém nesse caso não será um elemento salvador, mas sim algo que remete à resolução de algo na história.

Podemos ver um exemplo disso na série Squid Game quando o policial pega o registro dos jogadores atuais e este começa com o jogador 002 e não com 001, isso evidencia que o jogador 001 tinha algo de especial (o próprio criador do jogo não precisaria ter seus dados registrados, não é mesmo?).

 

- Pode ser um símbolo.

O uso de simbolismos pode ser outra maneira de utilizar a técnica.

Utilizando outro exemplo de Harry Potter, podemos falar dos patronos de Ron e Hermione que se relacionam diretamente. É um símbolo (animal) que naquele momento não se relacionava, mas que no futuro faria muito sentido já que esses dois ficaram juntos.

 

- Pode ser uma preocupação.

Algum personagem pode apresentar preocupação excessiva que algo aconteça, algo que não seria possível de acontecer em um princípio, mas logo acaba acontecendo.

Um exemplo poderia ser um adulto responsável que demonstra grande preocupação pelo uso te tecnologia dizendo coisas como “usar o celular todo o dia faz mal”, “isso vai fritar o seu cérebro” etc. E durante o roteiro é justamente esse uso que gera o problema da história.

 


Você pode trabalhar o foreshadowing de diferentes maneiras e com várias outras coisas que talvez não foram mencionadas nesse post, o importante para utilizar a técnica de maneira exitosa é ter em mente três pontos principais:

- Não colocar “pistas” tão óbvias.

- Tentar ser sutil e conciso.

- Não colocar um elemento como foreshadowing se não for utiliza-lo como tal (se você “prometeu” algo, deve cumprir essa promessa).

 

E você já usou o foreshadowing ou conhece outros exemplos na literatura? Compartilhe com a gente!

Um comentário:

  1. Oi Ayumi, tudo bem?

    Sim, já usei foreshadowing nas minha histórias e adoro fazer isso! Às vezes até uso como uma forma dever o quanto os leitores estão prestando atenção.

    No último livro/fanfic que publiquei no Wattpad eu escrevi dois eventos na história que aconteciam ao mesmo tempo, porém estavam em capítulos separados. Um personagem faz uma ação no início de um capítulo, e eu só mostro que foi percebido pelo outro, que está inconsciente, no capítulo seguinte. Ninguém notou... :( Só depois que leu no meu comentário ao final da cena em questão. Alguns inclusive disseram que voltaram para ler.

    Eu gosto quando autores me surpreendem assim também.

    Até mais;
    http://universo-invisivel.blogspot.com/

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