sexta-feira, 14 de maio de 2021

Projeto Escrita Criativa Entrevista #5: Evan C Haskel

Foto de Patrick Fore, via Unsplash.

Olá, escritores!

Dando sequência à nossa série de entrevistas (começada lá no início de nosso site), nossa equipe conversou com o Evan C, autor vencedor do prêmio Wattys, do Wattpad. Venha conhecer mais da carreira literária de mais um autor nacional.


Projeto Escrita Criativa: Qual é a sua memória de leitura mais remota? 
Evan C: É de antes de eu nascer, quando eu revisava meus próprios textos que eu rabiscava na parede interna do útero da minha mãe. Costumava escrever alguns acontecimentos como se fosse um diário do que acontecia comigo naquele lugar solitário e úmido. Lembro que a sexta semana foi a mais tensa...! Bom, e depois de nascer, minha memória de leitura mais remota, com certeza, foi com gibis. Provavelmente, um do Homem-Aranha (apesar de eu preferir o Batman)

PEC: Comente um pouco como foi o seu despertar para a escrita. Em qual momento você passou a se intitular escritor? Como foi para você deixar de ver a escrita como um hobby e passar a vê-la como um trabalho? 
EC: Meu despertar para a escrita acho que surgiu lá pela quarta série, quando a professora nos pediu para escrever uma história com tema livre. E eu narrei as aventuras de um prego que era perseguido por um martelo malvado, que acaba morrendo queimado numa fogueira, enquanto o prego bonzinho termina pregado na parede de uma casa segurando um belo quadro. Na minha cabeça na época era um final feliz. Ficar eternamente pregado... Enfim, lembro dos elogios da professora e de minha história ser escolhida a melhor da classe. Acho que a sementinha de escritor foi plantada ali. Anos depois, a coisa cresceu quando tentei escrever uma aventura onde eu e meus colegas de classe éramos os heróis (por que não, né? ) A história era um lixo, mas me deu o start de que eu poderia escrever algo mais extenso e parecido com um livro tradicional. Quanto à segunda pergunta, a escrita para mim ainda é um hobby. Por enquanto, ainda tenho que suar a camisa do modo tradicional para conseguir dinheiro. Mas, quem sabe no futuro a escrita não passe a ser a ‘profissão’, né? 

PEC: Quem são os autores que te influenciam? Eles aparecem de alguma forma na sua obra? Como? 
EC: Os autores que mais me influenciam são dois: Stephen King e Harlan Coben. Stephen King é simplesmente o rei, o maior escritor na minha humilde opinião. Insuperável. E me impressiono com a facilidade que ele tem em conduzir a narrativa, acrescentando elementos fantásticos de maneira natural e crível, onde você realmente aceita tudo aquilo, por mais absurdo que possa parecer. Sem contar o talento que o mestre tem em criar cenas tocantes, independente do peso do enredo. E a versatilidade dele é outra coisa que impressiona. Ele descreve, terror, romance, drama, tudo com a mesma maestria. Quanto à Harlan Coben, ele possui uma narrativa ágil, que prende o leitor, e quase sempre pontuada com bom-humor, que se mostra sutil nos diálogos e nas reações dos personagens. Procuro acrescentar tudo isso na minha escrita, embora o mais ‘fácil’ seja a parte de bom-humor na narrativa, porque a versatilidade do mestre King ainda é um desafio quase impossível de acrescentar ao meu estilo. 

PEC: Como é o seu processo de escrita? Você tem alguma rotina/mania ao escrever? Você tem alguma dica de ouro para este momento? 
EC: Eu costumo escrever quando vem a inspiração. Não consigo tirar um tempo para me dedicar a isso, porque corro o risco de ficar horas sentado na frente do PC e terminar num joguinho do celular... Quando a inspiração vem, eu aproveito e despejo tudo no papel (tela). E minha dica de ouro é: esteja sempre pronto para anotar as ideias que surgem do nada. Um bloco de notas no celular é ótimo para isso. Porque essas ideias costumam desaparecer rápido e raramente voltam. O negócio e aproveitar. 

PEC: Você tem alguma formação literária, estuda por conta própria ou escreve de maneira intuitiva? 
EC: Como é o seu processo de busca por aprimoramento profissional? 
Não tenho formação literária. O que eu sei consegui absorver com muita leitura e estudo básico de técnicas de escrita. Minha busca por aprimoramento é sempre ler o máximo que posso. E algumas matérias e vídeos no youtube também ajudam. Como as lives do Projeto Escrita Criativa com a Fer, a Ane e a Ayumi. Além claro, das dicas de diagramação do Cara de Bigode e da Ayumi (não necessariamente nessa ordem de importância) que foi onde conheci o projeto. 

PEC: Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritor? (Como você lida com a procrastinação? Com medo de não corresponder às expectativas? Às vezes bate aquela sensação de insegurança, sensação de não ser bom o bastante? Como você vence os bloqueios criativos de modo geral?) 
EC: Para mim, os maiores desafios diários de ser escritor é lidar com as ideias que surgem nas horas mais erradas possíveis. Sabe aquela combinação incrível de palavras para criar a narrativa perfeita que lhe daria um Nobel de Literatura apenas por aquele parágrafo? Pois é. Elas surgem e somem assim, num estalo de dedos, e eu quase nunca consigo capturá-las para utilizar depois, porque sempre surgem quando eu NÃO POSSO anotar... Sobre o medo de não corresponde às expectativas, eu não dou muita bola, já que a escrita para mim ainda é um hobby e eu costumo rir das críticas mais severas, ao invés de me chatear. Principalmente, quando percebo que a intenção é apenas criticar. Nestes casos, o crítico quase sempre acaba rindo das minhas respostas aos seus ataques e a gente acaba virando amigo. E quanto aos temíveis bloqueios criativos eu venço eles na porrada quando aparecem. 

PEC: Falando do texto em si, o que você mais gosta de escrever? Como funciona o seu processo de pré-publicação dos seus escritos e o que você acha importante fazer antes de soltar um texto no mundo? 
EC: Eu gosto muito de escrever histórias que tenham ação e aventura, mas pontuada com uma trama envolvente e não previsível, com viradas inesperadas e um romancezinho legal do herói, pois nem os protagonistas são de ferro. A não ser, claro, que ele seja o Homem de Ferro... Mas, na verdade, nem ele é de ferro, só a armadura. Bom, enfim... Resumindo a resposta, acho que o mais importante antes de publicar um texto é revisá-lo bem para limitar o máximo possível o surgimento de erros. Isso é essencial. (e se tiver algum erro de ortografia nesta entrevista, culpem as meninas o projeto :P ) 

PEC: Como você conheceu o Wattpad? Como foi o processo de escolher publicar lá? 
EC: Eu conheci o Wattpad há alguns anos atrás através de uma amiga do trabalho, que hoje mora na Alemanha. Beijão pra você Vanessa! E o processo de escolher escrever lá foi bem natural. Como o Wattpad era (e ainda é) a maior plataforma digital de publicação gratuita do mundo, e eu queria ver a reação ‘verdadeira’ de leitores com a minha história (porque na época, opinião de noiva, mãe, pai, irmãos e amigos próximos não contavam. Sempre estava ‘muito bom!’ ‘nossa, querido, perfeito’, ‘você parece escritor profissional’... e eu sabia que tinha partes que estava um lixo. Enfim, opinião de familiares não são ‘confiáveis’. Nunca. Mas de estranhos, pode ter certeza que vale a pena considerar, porque serão sinceros.



PEC: Você ganhou um prêmio no Wattpad, como foi esse processo? 
EC: Sim. Eu fui os dos vencedores na categoria ficção científica no idioma português. O Prêmio Wattys acontece todos os anos e premia as melhores histórias da plataforma no mundo inteiro, em dez categorias e idiomas diferentes. Depois do período de inscrições, que se iniciam lá pelo meio do ano, se passam alguns meses dedicados à avaliação das histórias, e só lá pelo final do ano que saem os resultados. É um período longo de espera, mas compreensível pelo número de histórias a serem analisadas. Alguns me perguntam quantas histórias concorreram, mas eles não divulgam esses números. Os dados oficiais apontam que existem mais de 300 milhões de histórias postadas no Wattpad, mas não faço ideia de quantas existem em português. Nem de quantas foram inscritas no concurso. Mas imagino que foram muitas. 

PEC: Você viu alguma vantagem de publicar no Wattpad, que não teria em outra plataforma/forma de publicação? 
EC: Sim, com certeza. A interação com os leitores que ocorre lá não é possível pelos meios tradicionais. E lá é o lugar perfeito para criar seu público. Mas, claro, financeiramente, não é a melhor opção, pois é tudo gratuito. Apenas recentemente começaram a implantar um sistema de moedas para ‘comprar’ a leitura de histórias. Mas como não me interessa, nem sei como funciona. 

PEC: Publicar de forma independente valeu a pena? Você faria novamente? 
EC: Com certeza, publicar no Wattpad valeu a pena e eu faria novamente. Principalmente, por ainda se tratar de um hobby para mim. Mas, por outro lado, eu fui ousado arriscando publicar um livro de contos na Amazon e estou muito satisfeito com o retorno financeiro, onde já recebi a quantia de zero reais. Creio que em um ano devo dobrar esse valor. E, pensando mais ambiciosamente, daqui a uns cinco anos, se continuar com esse sucesso estrondoso, devo mandar meu patrão para o casa do car@leo e curtir minha vida apenas aproveitando os valores astronômicos que cairão na minha conta pelos lucros desse meu conto de sucesso, onde temo apenas que o PIB brasileiro caia mais de 70% devido ao fato de o dinheiro dos investidores nacionais e internacionais serem gastos quase todo na compra compulsiva de exemplares de minha obra, que em breve vencerá um Nobel de Literatura e o prêmio Pulitzer.... Sem contar nos contratos com estúdios de cinema para versões cinematográficas... e das séries nos canais de streaming... e dos bonequinhos... e livros para colorir... comics... e chaveiros... e tatuagens personalizadas... selos para cartas... aliás, ainda existe selo pra carta? 

PEC: Como você vê o mercado para os autores nacionais? Quais dicas você daria para o autor que quer ver o seu trabalho publicado? 
EC: Acho que não só no cenário nacional, acho que no mundo todo ficou muito difícil se destacar nesse meio literário. A facilidade de se publicar de maneira independente saturou o mercado. Por um lado, é bom, porque se tornou fácil ter o sonho realizado de ter o seu livro físico nas mãos e se sentir um ‘escritor de verdade’. Mas por outro lado, a concorrência e a crise atual torna o sonho de se destacar muito mais complicado. A dica que eu daria nem é em relação a ter o seu livro publicado. Pois isso, como já falei, se tornou muito fácil. A dica seria no sentido de tomar cuidado com a empolgação pelo sucesso numa tentativa de publicação independente visando viver da escrita, pois precisa ter os pés no chão sobre isso para evitar frustrações. Não é pessimismo, é apenas um senso de realidade. Isso deve ser feito com cautela e noção dos riscos. 

PEC: Qual é a sua opinião sobre os influenciadores digitais? Já fez ou pensou em fazer parceria? Caso a resposta seja sim, como foi a experiência, deu resultado? 
EC: Kkkkk não entendo nada de influenciadores digitais. O máximo de interação que tive foi com vocês do projeto. 




PEC: O que você está lendo no momento? Qual o livro que marcou a sua vida como leitor? 
EC: Estou lendo Léxico, do Max Barry. É... as palavras matam. Só lendo para entender isso. E o livro que marcou minha vida foi Os Miseráveis, do Victor Hugo. Uma leitura que demandou muito tempo e paciência pelo cenário político que era retratado junto à trama, e que deixava a leitura um pouco arrastada. Mas quando você se envolve com os personagens e se sente na pele de Jean Valjean, a coisa vira mágica e é inacreditável comprovar como um livro de 149 anos consegue te tocar tão fundo. Não sou fã de clássicos, mas Os Miseráveis é um caso à parte em que eu arrisquei a leitura por adorar um dos vários filmes e fui arrebatado. Clássicos nacionais, não leio. Ainda traumatizado com Diva, de José de Alencar. Me julguem. 

PEC: Você está trabalhando em um novo projeto? Qual? Você pode nos contar um pouco sobre ele?
EC: Olha, meu novo projeto ainda está nos ‘esboços’ e seria uma ficção científica com toques de comédia. Ainda estou alinhando a espinha dorsal do roteiro. (É que só consigo escrever quando o básico da história já estiver determinado. Se for para criar a trama durante a escrita, não rola muito bem. 

PEC: Como os seus leitores podem entrar em contato com você? 
EC: Bom, sou meio avesso a redes sociais e me limito ao Wattpad, portanto, podem me encontrar lá: https://www.wattpad.com/user/evanc2000 ou pelo e-mail: goiano.sc@gmail.com 

PEC: Deixe o seu recado para os leitores do Projeto Escrita Criativa.
EC: Leitores do Projeto Escrita Criativa, acompanhem o projeto, as meninas são muito legais e nos dão dicas excelentes! Não percam as lives!

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Leia as entrevistas anteriores: 


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5 comentários:

  1. Parabéns ao Projeto Escrita Criativa pela entrevista. Com essas perguntas, até pareci um escritor de verdade ^^

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  2. Olá!
    Eu amo o projeto das entrevistas, fiz por 2 anos e foi maravilhoso, pretendo em breve voltar mas, esse tipo de projeto requer muito mais tempo e no momento não tenho pois, estou trabalhando em um outro projeto.

    Amei a entrevista e conhecer mais do autor, acho sempre válido saber mais.
    beijos.



    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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    Respostas
    1. Obrigado. E pode se inspirar e pegar as dicas das meninas do projeto aqui. Será sucesso garantido ^^

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  3. Uhh! Primeira vez que entro em contato com esse projeto, que é muito bom por sinal. Achei as perguntas muito bem elaboradas e criativas, e me diverti bastante com as respostas do Evan, haha! É sempre bom conhecer um pouco mais dos nossos autores favoritos. Parabéns ao projeto e a esse autor! muito sucesso pra vocês. !!!!

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