quarta-feira, 21 de julho de 2021

Como ter um blog impulsiona a carreira de escritor

Photo by Mathilde Langevin on Unsplash.



Olá, escritores!
Aqui é a Fernanda Rodrigues, uma das cofundadoras do Projeto Escrita Criativa. Em junho, meu blog — o Algumas Observações — completou 15 anos. Lá eu falo sobre literatura, posto textos literários e não literários escritos por mim. Este aniversário em especial, me fez refletir sobre como como estar na internet contribuiu para a minha carreira como escritora. É esse conteúdo que venho compartilhar com vocês.

Antes de começarmos, entretanto, é valido dizer aqui que é escritor toda pessoa que se dedica à escrita como profissão, o que significa que não é porque uma pessoa nunca publicou um livro físico que ela deva se achar menos importante do que quem já o fez. A ideia desse post é fortalecer os dois perfis: tanto quem quer escrever sem pretensão de publicar livros, quanto quem tem esse desejo de ser autor publicado.

Foto por Nick Morrison, via Unsplash.


Experimentar diferentes formas de escrita

Diferente do que acontece com um livro, que o autor precisa ter um projeto com uma proposta coesa, no blog é possível escrever diferentes tipos de textos. Aqui eu publico majoritariamente contos, crônicas, poemas, resenhas e artigos, mas há outros escritores que usam os próprios blogs para soltarem os capítulos de seus romances. Poder testar diferentes tipos de texto e ir percebendo com qual tem mais afinidade é importante até para definir o que o autor quer aprofundar, levando para a publicação em livro. 

Registro de evolução da escrita

Ao longo dos anos, isso se torna cada vez mais evidente: a nossa escrita muda, amadurece, segue por novos caminhos. Ter um blog é uma forma de registro dessas mudanças e pode ser usado pelo escritor como forma de estudo da própria obra. É possível ver nos arquivos não só o gênero textual mais escrito, mas também observar os temas de predileção e como eles influenciam no que é produzido.

Além disso, é possível registrar também como é o processo da escrita do próprio livro em si, compartilhando os bastidores de como anda o processo de criação, revisão, publicação.

Foto por Max Saeling, via Unsplash.


Mistura de diferentes linguagens

Em um blog é possível colocar texto, imagem, vídeo e áudio juntos. Para escritores que pretendem criar projetos experimentais, isso pode ser uma forma de ir testando como criar uma miscelânea artística que funcione dentro da proposta estética do projeto futuro a ser lançado.

Feedback instantâneo

O mais legal — e por vezes surpreendente — em um blog é que o autor tem um retorno praticamente instantâneo do texto. Pode acontecer de o autor do blog criar um post mega elaborado e não ter muito feedback positivo e de fazer um texto às pressas e todo mundo amar. Esse é um grande exercício de equilíbrio entre saber ouvir os leitores e, ao mesmo tempo, não se deixar pautar apenas no que os outros querem que seja escrito.

Criação de uma comunidade de leitores-escritores

Ter um blog — e visitar os blogs de outras pessoas — ajuda muito na criação de uma comunidade de leitores. Essa é uma forma bacana de fortalecer relações. Normalmente serão os leitores do blog os primeiros a apoiar o autor quando ele for lançar o seu primeiro livro. O pensamento dessas pessoas costuma ser: "se é legal ler o que o Fulano escreve na internet, imagine em um livro?". Também serão essas pessoas que ajudarão na divulgação da obra — não há nada melhor que o boca a boca! 😍

Independência das redes sociais

Quem viveu o ápice e o fim do Orkut sabe que não se pode publicar somente nas redes sociais. Já parou para pensar se o Instagram ou Facebook resolvem mudar tudo do nada?! Provavelmente quem só publica por essas plataformas corre o risco de perder seus textos. Ter um espaço próprio garante que o autor siga as suas próprias regras, não as ditadas pelo dono da rede social em que publica. 

Foto por Lauren Mancke, via Unsplash.

Portfólio e ponto de informações oficiais

Além de ser o portfólio de registro das criações literárias, o blog serve para o escritor deixar suas informações e todos os links disponíveis na internet. Assim, seus leitores têm informações oficiais e seguras sobre o autor e suas obras.

Argumento para publicação em editoras, editais ou apoio no financiamento coletivo

Quando eu decidi que queria publicar por uma editora, de modo tradicional, eu sabia que ter um blog há 13 anos (na época) era um ponto muito favorável a meu favor. Primeiro porque mostrava que eu não era alguém que resolveu escrever do nada, que já tinha experiência nesse assunto. Segundo, porque eu pude dizer que tinha pessoas que me liam há 13 anos  o que, para editora, significou uma maior probabilidade de vendas (do que se eu tivesse chegado sem blog e sem leitores). Terceiro, porque eu já tinha uma plataforma sólida de divulgação do meu trabalho, uma forma própria de me comunicar e me posicionar nas redes sociais — isso deu mais segurança à editora de que ela poderia contar comigo para divulgar o meu livro. A última coisa que as editoras querem hoje é autor que só escrevem e não fazem nada para vender a própria obra.

Esses mesmos argumentos poderiam ser válidos na escrita de um projeto para algum edital de incentivo à cultura que dão apoio com verba para os autores publicarem. 

Por ter um público estabelecido, esses argumentos e a comunidade de leitores conquistadas podem ser de grande valia caso o autor resolva publicar via financiamento coletivo. 

Estabelecimento de parcerias

Sendo um escritor, é possível que seu blog consiga parceria tanto com editoras, quanto com outros autores e outros blogs literários. Isso é importante porque ajuda a desenvolver o lado profissional entre escritor e as pessoas que fazem parte do mercado editorial: leitores, editoras e produtores de conteúdo.

Mão na massa

Você tem blog? Teve blog? Pensa em ter blog?! Quer publicar um livro mas nunca teve coragem? Me conte aí nos comentários (lembrando que eu tenho um grupo de estudos e uma mentoria de escrita, para quem precisar de ajuda. Os detalhes estão aqui). Vai ser ótimo saber como você se sente em relação à escrita.

Um comentário:

  1. Oi Fernanda, tudo bem?
    Concordo com tudo o que você disse, mas confesso que nunca tinha parado para pensar na relevância dos meus blogs para mim. A primeira vez que me expressei de forma escrita na internet foi por eles; Universo Invisível (2008) e o Mente Hipercriativa (2010) e hoje quando não estou com paciência nem motivação pra escrever aquele texto completo, uso os dois espaços para publicar cenas, resenhas, listas... e geralmente recebo retorno em comentários! Bom saber que além de ser um catinho para me expressar, os blogs também contam como ponto positivo caso um dia eu resolva investir em uma publicação com uma editora.

    Tem postagem nova no Mente Hipercriativa, venha conferir!
    Mente Hipercriativa

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