sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Produções literárias: Quem diria? | Por Patrícia Lemos Vaz

Foto por Aron Visuals, via Unsplash.


Quem diria, né? ...que eu que a vida inteira quis ser diferente, desde os brinquedos, os amigos que tinha, as músicas que ouvia, chegaria a um tempo de sua vida que ela seria tão igual. 

Sabe quando temos algo todos os dias, não lhe damos o devido valor. O silêncio pra mim era algo tão normal hoje me faz falta. Entender que o ato de andar, o alimentar-se, o vestir-se que é tão automático. Hoje vejo como faz falta pra quem não consegue ter estes movimentos. 

Eu confesso que não entendo nada da vida. Essa que nos arrasta e faz um furacão no nosso existir, mudando nosso rumo e direção. Quantas coisas eu queria rever...

Queria poder dizer pra minha mãe que o cuidado que ela tinha comigo e eu achava chato, eu hoje sinto falta...pois hoje não posso mostrar minhas dores. Tenho que ser forte e a vontade de ser acalentada tem de ser reprimida. Que se eu pudesse voltaria ao tempo que minha preocupação era a nota da prova e não as contas da casa. 

Se eu pudesse voltava ao tempo que meus amigos eram de verdade e que não havia competição. 
Se eu pudesse voltava ao tempo de nossas conversas intermináveis sobre o futuro, a vida e uma profissão tudo tão pueril e ao final de tanta filosofia sobre a vida a gente ia tomar um sorvete. 
Meu Deus porque queremos crescer tão rápido, e assim quase não aproveitamos nossa juventude. 
Hoje queria poder reviver isso...e dizer pra mim naquele momento que tivesse calma... paciência. 
Hoje eu não tenho mais as pessoas que eu achava que seriam pra sempre. Não tenho mais os discos que eu tinha muito cuidado, aliás nem discos tenho mais. 
Eu dizia que tinha coragem de correr o mundo sozinha se preciso fosse. 
Hoje os medos me paralisam, as feridas são tantas... os desafios que tenho são infinitos e a coragem falta as vezes pra levantar da cama.

Como pode numa só existência sermos pessoas tão diferentes. Quando penso no que eu era e no que me tornei, tenho a sensação de que não são as mesmas pessoas. São tão antagônicas que nem parecem ter a mesma raiz. 

E a fé...eu acreditava em tudo, em duendes, em anjos e ate que os meus sonhos seriam realizados, que as mães seriam eternas e que a gente precisa ser bom pra ir pro céu, e se não for Deus irá castigar.

Hoje sei que nada disso é real e que minha fé, ah minha fé tem se transformado em dúvida.

Texto criado pela escritora Patrícia Lemos Vaz, a partir da proposta do Desafio Criativo de outubro de 2020, que teve como tema Pelos olhos de uma Criança. Para saber qual é tema do últimos desafio criativo de 2020, clique aqui.

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