Produções literárias: Maçã do amor | Por Ayumi Teruya

 


O cheiro do milho nunca tinha estado tão presente como naquela noite, bandeirolas coloridas flameavam em contraste com a fogueira ao fundo do terreno de terra. O som das risadas ecoava e minha mão direita segurava firme no palito daquela maçã do amor.

O açúcar cristalizado reluzia em um vermelho brilhante, quase perfeito com algumas pequenas bolinhas de ar. Olhava para ela com um cenho franzido, nunca entenderia por quê se chamava “maçã do amor”, o que havia de amor nela? Era só por que tinha muito açúcar e o amor deveria ser doce?

Não entrava na minha cabeça como um doce tão difícil de comer tinha esse nome, era duro para morder e quando mordia o açúcar poderia quebrar em mil pedaços, a boca inteira ficava melecada, a mão também. Depois de tudo isso só sobrava a fruta, sem a camada doce que a cobria.

O amor então deveria ser assim?

Doce por fora e tão normal por dentro?

Seria uma metáfora para a fase da lua de mel e logo o cair na realidade?

As rachaduras no açúcar seriam a representação do meu coração quebrado em pedaços?

O açúcar tão doce no início poderia ser a intensidade?

O melecar-se significa que apesar de tudo estamos impregnados pelo amor?

Sacudi a cabeça vendo a quadrilha começar a formar-se, estava pensando de mais em um simples doce típico de festa. E tal vez fosse isso, às vezes a gente pensa de mais no amor, com medo do que pode acontecer, com medo de enjoar ou de não terminar gostando. Por que não podemos somente sentir e aproveitar enquanto dura? Às vezes pode durar até mais do esperado, como a memória de festas juninas passadas onde ele costumava presentear-me com a maçã do amor perfeita, que era tão fácil de comer.


Sobre a autora

Ayumi começou a escrever aos sete anos de idade e não parou mais. É escritora, formada em psicologia na Universidade de Buenos Aires e cofundadora do Projeto Escrita Criativa (que há mais de 10 anos ajuda escritores no processo de publicação e oferece serviços editoriais), além de manter o seu blog pessoal chamado Pandinando desde 2014. Possui mais de 15 autorias entre livros, antologias e participações em revistas literárias; foi premiada em 1º lugar no VII Concurso de Contos Bunkyo 2024 e 3º lugar no 40º Concurso Literário Yoshio Takemoto 2026 na categoria crônicas.

Desde 2015 oferece serviços de diagramação, capa e mentoria para escritores independentes, para saber mais acesse.

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