Já falamos
sobre a Arma de Tchekhov, Foreshadowing e Red Herring, hoje é a vez do Deus ex machina!
O termo que
nasce diretamente do teatro grego que significa: “deus surgiu da máquina”. Na
época se referia ao uso de uma “divindade” ou força sobrenatural que era
personificada e que surgia em determinado momento para resolver o problema da
trama, geralmente faziam isso descendo o ator no meio da cena utilizando um
tipo de guindaste, de aí surge Deus ex machina.
Hoje em dia
é utilizado quando há uma solução “muito fácil” que muitas vezes é considerada inverossímil,
por isso costuma ser muito criticado. Basicamente temos uma pessoa, objeto, habilidade
ou evento que surge inesperadamente e resolve um problema que era impossível de
solucionar, algo que ocorre de maneira “milagrosa”.
É
considerado um recurso fraco, principalmente se usado várias vezes na história,
já que demonstra uma facilidade de solucionar problemas de enredos com “milagres”
ou “casualidades convenientes”, ao invés de utilizar ferramentas ou artifícios
trabalhados ao longo da história. É usar uma saída fácil ao invés de pensar
melhor o enredo.
Exemplos de
Deus ex machina:
1. Os
sapatinhos de Dorothy em O Mágico de Oz, ao chegar no final da história, temos
a dúvida de como a garota retornará a casa, a resposta é simples e não está trabalhada
ao longo da trama, Glinda magicamente e convenientemente se lembra que os
sapatos possuem o poder de leva-la a casa.
2. Em Endgame de Avengers temos a viagem no tempo utilizada para desfazer o estalo de Thanos, onde ocorreu uma descoberta casual da mecânica quântica. Assim como a chegada da Capitã Marvel contra o vilão na batalha final.
3. A espada de Gryffindor aparecendo magicamente para o Harry quando ele está enfrentando o basilisco.
E você,
conhece algum outro exemplo de Deus ex machina?
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2 Comments
Eu adoro quando aparece um deus ex machina em uma leitura, acho que sou meio boba. As águias em o senhor dos aneis seria mais ou menos isso?
ResponderExcluirAs águias em O Senhor dos Anéis podem até lembrar um deus ex machina, já que aparecem para salvar os heróis quando tudo parece perdido. Porém, muitos estudiosos consideram que elas não são um verdadeiro deus ex machina, porque já haviam sido apresentadas antes na história e sua participação foi construída ao longo da narrativa. Assim, a chegada delas funciona mais como uma reviravolta preparada do que como uma solução inventada de última hora.
ExcluirCuriosidade: Tolkien chamava esse tipo de reviravolta de eucatástrofe: um acontecimento feliz e inesperado que surpreende o leitor, mas continua fazendo sentido dentro da história. Para ele, isso era diferente de um deus ex machina, que resolve o conflito de forma repentina e sem preparação.
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