quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Dicas de escrita: você sabe o que é o vocativo?

Você sabe o que é vocativo? 
(Imagem por Fernanda Rodrigues)


Olá, escritores! 

No post de hoje, vamos falar sobre o vocativo. Você sabe (ou se lembra do que estudou na escola) do que falamos quando o assunto é esse? 

A palavra vocativo vem do latim vocare, que significa chamar. Essa origem já traz algumas pistas de seu uso, mas queremos apresentar alguns pontos importantes que ajudam a compreendê-lo melhor.


Características e uso do vocativo

Segundo os gramáticos Evanildo Bechara e Domingos Paschoal Cegalla, o vocativo é:

1. uma estrutura à parte, desligada da parte argumentativa da oração. Portanto não se anexa nem ao sujeito, nem ao predicado;
2. cumpre a função de 2ª pessoa gramatical (tu ou vós), podendo se referir a seres humanos ou animais, coisas reais ou entidades abstratas personificadas;
3. pode ser representado por substantivo ("homem, menino, gato, amor, esperança" etc.) ou por pronome ("você, senhora, senhor, tu, vós" etc.);
4. cumpre a função de chamar ou de pôr alguém em evidência;
5. às vezes pode vir precedido por uma interjeição ("ah, ó, olá, eh!" etc.);
6. na fala é dito em tom exclamativo;
7. na escrita sempre aparece entre vírgulas.

Como identificar o vocativo?

Veja se há alguém — narrador ou personagem — falando (chamando) uma outra personagem diretamente. Se estiver, a personagem chamada é o vocativo.

Alguns exemplos

Volte ao início deste post. A frase de abertura é "Olá, escritores!". Nesse caso, a palavre escritores cumpre a função de vocativo, porque nós, do Projeto Escrita Criativa, estamos falando diretamente com vocês, leitores.

Trazendo alguns exemplos da literatura canônica, lemos:
  • "A ordem, meus amigos, é a base do governo." (Machado de Assis)
  • "Correi, correi, ó lágrimas saudosas!". (Fagundes Varella)
  • "Vocês por aqui, meninos?!" (Afonso Arinos)
  • "Tem compaixão de nós, ó Cristo!" (Alexandre Herculano)
  • "Ó Dr. Nogueira, manda-me cá o Padilha, amanhã!" (Graciliano Ramos)
  • "E agora, José?" (Carlos Drummond de Andrade)

Apresentando alguns exemplos mais comum:
  • Filha, vem aqui!
  • Você, Enzo, precisa se esforçar mais.
  • Felicidade, onde você se esconde?
  • Valentina, não brigue com a sua irmã!
  • Chega, Bruno, não quero ouvir mais essa ladainha!

Por que isso é importante?

Entender quais são os vocativos do seu texto implica em pontuá-los adequadamente. Um vocativo que não está bem sinalizado pode confundir o leitor (o narrador/personagem está dizendo que o Fulano fez algo ou está falando diretamente com esse Fulano?). Sem as vírgulas devidas, a leitura fica truncada, difícil de ser feita, tanto de modo silencioso, quanto em voz alta (já que o leitor não sabe que tem que dar o ar exclamativo ao que está sendo lido).

Você sabe o que é vocativo? 
(Imagem por Fernanda Rodrigues)


Referências:

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37ª edição revista, ampliada e atualizada conforme o novo Acordo Ortográfico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. Páginas 460-461.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 48ª edição revista. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008. Páginas 366-367.

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