quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

6 coisas que aprendemos com o documentário Miss Americana


Miss Americana é um documentário produzido pela Netflix, lançado no final do mês de janeiro, onde Taylor Swift assume o papel de compositora, cantora e acima de tudo, de uma mulher que aprendeu a usar o poder de sua voz. Antes de continuar lendo, tenha em mente que o foco desta postagem não é a vida pessoal da cantora, mas sim o seu processo criativo e como ele pode nos inspirar.

Você deve estar se perguntando o motivo de eu ter escolhido falar sobre um documentário que aborda a vida de uma cantora pop, ao invés de escolher um nome do universo literário, como já realizado anteriormente em: 8 coisas que aprendemos com o Pedro Bandeira - 6 conselhos de autores contemporâneos para escritores iniciantes - Conheça as 8 regras de escrita do Neil Gaiman - Como escrever bem, por Umberto Eco. A resposta é simples, para que continuemos estimulando nossa criatividade, afinal, é importante que pensemos fora da caixa, saiamos da nossa zona de conforto e que consigamos aprender a ver inspiração em todos os lugares, inclusive nos mais inusitados.

1. Quero muito, mas tenho medo do que pode acontecer. 

Acredito que você já pensou na frase acima ao menos uma vez na vida. O medo é um sentimento paralisante e que, apesar de assustador, tem sua importância. Não devemos deixar que ele controle nossa vida, e nem tire de nós a oportunidade de contribuir com algo bom para o mundo, muitas vezes por acharmos que não somos relevantes nos deparamos com ele no momento de começarmos algo novo ou no compartilhamento de nosso trabalho.

Miss Americana nos mostra que possuir um nome conhecido não minimiza essa sensação, na maioria das vezes quanto maior o seu reconhecimento maior também será o seu medo de fracassar. A dica é simples: se der medo vai com medo mesmo, mas sempre lembre-se de apreciar a jornada e aprenda se divertindo durante o processo.

2. Tive que desconstruir todo um sistema de crenças para minha própria sanidade.

Diversas vezes criamos crenças ao longo da vida com base nos ensinamentos de nossa infância, e não há nada de errado com isso, o problema é quando este sistema que nos norteia não combina mais com a nossa etapa de vida atual. As vezes quando crianças nós criamos uma meta de vida para quando chegarmos aos 30, porém quando chegamos aos vinte e poucos anos, nos damos conta que aquele sonho infantil não é tão simples quanto imaginávamos, e que nem estamos tão perto de alcança-los. Ao compararmos nossas vidas com a de outras pessoas que já alcançaram suas metas, muitas vezes nos desperta um sentimento de frustração que só agrava com o passar do tempo, este momento é quando nossa saúde mental entra na zona de risco e algumas medidas precisam ser tomadas.

Normalmente é nesses momentos que os bloqueios criativos surgem, a insegurança de apresentar ao público um novo projeto, ou até mesmo a vontade de desistir de algo por achar que está demorando demais, afinal, há pessoas que lançaram 5 livros em um período que você não terminou nem o seu primeiro. Então a dica é: respeite o seu momento, saiba que não há nada de errado em mudar de ideia, de abandonar crenças que hoje já não fazem mais sentido para você, lembre-se que as pessoas mudam e não há nada de errado com isso.

Foto divulgação

3. Eu era tão obcecada por não me meter em problemas ao ponto de não querer fazer nada que as pessoas pudessem comentar.

Você tem uma ideia incrível para uma nova história, mas logo muda de ideia por ser algo que pode gerar algum tipo de conflito. Talvez as pessoas não entendam sua mensagem, ou pior, elas entendam e se virem contra você e todo o sonho de uma vida será jogado fora. 

Não há problemas em querer se preservar e escolher ir por um caminho já conhecido. Mas lembre-se como você irá chegar a um novo lugar reproduzindo os passos alheios? Como querer se destacar se tem medo se fazer diferente do que já foi feito? 

Às vezes a sua realidade não é a mesma dos livros que você costuma ler, nem dos filmes e séries na TV. E é ai que está seu diferencial, usar suas próprias palavras para dar voz a outras pessoas que compartilham um situação parecida com a sua. Como exemplo temos a Lilian Farias, autora dos livros O céu é logo ali e de Mulheres que não sabem chorar que diz: "Amo escrever sobre aquilo que incomoda!".

4. Tento me informar o máximo possível sobre como respeitar as pessoas, como desconstruir a misoginia no meu cérebro. 

Não é regra, mas é fato que quem lê mais acaba por se tornar um escritor melhor, já que para se escrever boas histórias e criar personagens memoráveis é preciso, antes de mais nada, ter curiosidade e vontade de se arriscar no novo. Sem contar que empatia é fundamental para um processo de escrita satisfatório. 

Aposto que você já leu um livro em que teve a sensação que o autor(a) o escreveu para/sobre você, de tanto que você se identificou com a história. Então use esse sentimento como seu guia na hora de criar. 


5.  Quero usar cor-de-rosa e expressar o que sinto sobre a política. E uma coisa não deve anular a outra. 

Quando se é mulher, independentemente do setor em que você atua, é inevitável se deparar com algumas barreiras.  É engraçado como as pessoas pressupõem que mulheres amam livros de romance, chick lit ou drama. Logo só podem escrever sobre, já que não possuem bagagem para falar sobre outra coisa. E é ai que mora o erro. Se deixar limitar a escrever/falar sobre um gênero literário especifico devido ao fato de ter nascido mulher. 

Você pode gostar de ler romance e ainda assim escrever sobre terror, ficção científica, fantasia e o que mais sentir vontade.  Imagine se  nomes como Agatha Christie, Octavia Butler, Ursula K. Le Guin, Mary Shelley e Margaret Atwood não tivessem se aventurando onde antes só apenas os homens tinham lugar?


6. Jogue fora, rejeite e resista. 

A jornada do escritor não é assim tão diferente da  jornada do herói. Existem algumas etapas que são fundamentais para o desenvolvimento e amadurecimento da escrita, porém elas não necessariamente irão acontecer da mesma maneira para todos. Em Miss Americana podemos acompanhar um pouco de como foi a jornada de Taylor Swift até ela se tornar um sucesso mundial. É interessante notar que ela começou como uma cantora country e passou por uma transição até chegar ao pop. Sua letras sempre retrataram seu cotidiano, mas é notável como suas composições cresceram conforme as experiências que ela foi tendo ao logo da vida. Todo o seu desenvolvimento como artista foi moldado por um equipe inicialmente e conforme ela começa a tomar as rédeas, podemos notar uma mudança em sua postura como pessoa e profissional. 

Com base nisso, é praticamente o sonho de 9 em cada 10 escritores ser publicado por um grande editora, ser um autor(a) best-seller, porém é importante ser fiel a sua essência e ao seu propósito. Às vezes pode surgir um oportunidade incrível para você, mas que foge totalmente da mensagem que deseja passar ao seus leitores. Hoje, com a internet, o contato entre o escritor e o leitor é muito mais fácil. Esse detalhe faz com que você, enquanto criador de histórias, consiga ter um relacionamento mais próximo com seus futuros leitores, onde eles conseguem enxergar em cada palavra sua um pouco de quem você é, criado assim um vínculo de admiração e confiança.

Com base nisso saiba o momento certo de jogar fora uma ideia, rejeitar um proposta e resistir quando tudo parecer perdido!

Para finalizar, a música é para muitos  uma parte importante do processo de escrita. Se analisarmos, o trabalho do compositor não é tão distante de um escritor. Pensando nisto, o projeto possui playlists com a trilha sonora dos nossos escritores podendo ser ouvidas no Youtube e no Spotify, espero que curtam e que lhes tragam muitas inspirações.

Um comentário:

  1. Achei interessante o documentário e adorei conhecer esse blog! Após anos de resistência para divulgar meus textos, vou criar um blog e expressar meus pensamentos por meio da escrita!!

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