Produções literárias: Fora do controle | Por Ayumi Teruya


O vento que entrava pela janela do carro balançava meu cabelo como nunca antes, para alguns essa era a sensação da liberdade; mas para a minha família, eu estava fora do controle.

A cidade tão escura e ao mesmo tempo tão iluminada, pelas luzes das pessoas em suas casas, não conseguiam refletir a verdade que carregava em meu peito, o caos invisível pertencente à existência humana. O monstro impalpável que se manifestava em palavras e gestos violentos.

Desde quando era proibido questionar?

— Uma dama não questiona, obedece — diria mamãe.

Desde quando era proibido opinar?

— Uma dama sabe quando fechar o bico — diria vovó.

Desde quando era proibido pedir?

— Se ele não fez, é porque é sua obrigação — diria titia.

Admito, sou uma mulher fora da curva, uma curva imposta por alguns poucos em um mundo que tinha avançado um pouco, mas que movimentos novos nos fazem retroceder. O medo da incerteza que a liberdade traz e que faz com que toda uma sociedade volte a sua face para uma estrutura arcaica e rígida.

Porque quero questionar, opinar, pedir, ordenar, organizar, trabalhar, decidir, votar e tomar as rédeas da minha própria vida. Quero que minha voz seja escutada assim como a de várias outras. É tão difícil pedir por isso?

Aperto minhas mãos com força no volante, ainda sentindo o vento balançar os meus cabelos.

Escuto um estalo de língua que me traz de volta à realidade, minha mãe sentada no banco de trás do carro em reprovação. Do que? Já eram tantas coisas que não sabia qual delas viria à tona agora.

— Na minha época não era assim… — Negou com a cabeça.

— Pois que bom que agora é a minha época, né, mamãe?

Sorri. Se estar fora do controle significa estar viva, então estou fora do controle.

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