Produções literárias: Quando as luzes se apagam | Por Ayumi Teruya



As costas apoiadas sobre o lençol frio, a barriga para cima sentindo como o ar entra e sai dos meus pulmões, fazendo meu tórax mover-se quase como ondas de calmaria, mas não estou só. 

Escuto como há outra respiração sincronizada com a minha. Estico o braço para te alcançar e você logo me envolve em um abraço, onde seu corpo quente contrasta com o frio dos lençóis. 

Meu corpo se aquece e ao apoiar minha cabeça em seu peito, posso escutar o seu coração bater tranquilo e em paz. Nós dois ali, no escuro, no silêncio da noite, compartilhando o mesmo ar e o toque da nossa pele. 

Unidos como se fôssemos um só, sem telas, sem barulho, sem luzes, sem outras pessoas ao nosso redor. Somente nós, zelando pelo descanso um do outro. 

Há quem diga que a escuridão dá medo, mas será mesmo que é só isso? Ou é o medo de parecer vulnerável? De estar só com seus próprios pensamentos? De se encontrar com aquilo de si mesmo que não queria?

Seus dedos entrelaçam os meus com carinho, não há necessidade de quebrar o silêncio, nossos corpos falam por nós. 

Uma mente em paz não tem medo do escuro, uma mente em paz sabe que o compartilhar não se dá somente através de palavras. 

Porque quando as luzes se apagam, esse momento se converte em íntimo, um momento só nosso. 

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