Imagem sob licença Creative Commons por cocoparisienne
Você
sabia que existem diferentes tipos de papel na impressão de um livro e que cada
um deles é indicado para um tipo de publicação?
Se
você pretende publicar seu livro com uma gráfica ou em uma plataforma
independente que permite a escolha de diferentes tipos de papéis, esse post é
para você!
O Off-set
Parecido
com o famoso papel sulfite de cor branca, porém com um pouco mais de qualidade
e durabilidade em relação à umidade. Costuma baratear a impressão, por isso é
muito usado na publicação de livros, porém é importante ter em conta que pelo
contraste de fundo branco e corpo do texto preto, pode causar certo cansaço na
vista. Igualmente continua sendo um dos papéis mais usados no mercado
editorial.
Também
possui uma maior absorção de tinta em comparação aos ouros papéis.
Utilizado
para todo tipo de publicação, também recomendado para livros que possuam
algumas poucas imagens coloridas.
O Pólen
Levemente
amarelado, esse papel é o mais recomendado para livros longos já que, pela sua
cor, não gera um cansaço na vista. Porém, costuma ser um pouco mais caro que a off-set.
Além disso existem a pólen soft que é mais final e a pólen bold de maior
espessura.
Geralmente
usado para romances longos, porém também pode ser usado em qualquer tipo de
publicação como livros de poesia, crônicas, etc. Não tão recomendado para livros
com imagens coloridas, costumando tê-las em preto e branco.
O Couché
Papel
mais resistente que possui um revestimento especial para impressão à cor,
podendo ser fosco ou com brilho. Esse tipo de papel é recomendado para livros
com muitas imagens, como livros de design, e principalmente para livros
infantis, também costuma ser utilizado em revistas.
É
importante deixar claro que cada tipo de papel possui uma gramatura diferente.
A gramatura é a massa representada em metros quadrados que o papel possui, para
simplificar, pode-se dizer que está relacionada com o “peso” desse papel e por consequência
é possível observar diferenças na grossura da folha de acordo com diferentes
gramaturas. Geralmente para livros é usada a de 70g ou 90g quando o papel é
off-set ou polén, usar um papel mais fino que estes, pode fazer com que a folha
seja muito fina e seja possível observar o que está escrito do outro lado, incomodando a leitura da página atual com a interferência do texto presente no
outro lado. Já o couché pode ser de 90g, 120g ou 150g dependendo do projeto do
livro.
Lembrando
que um livro pode ter uma mistura de papéis no seu interior, por exemplo uma
biografia pode ter todo o texto em off-set e algumas páginas com imagens
inteiras em papel couché.
Todos
nós já seguramos um livro em nossas mãos, mas será que realmente entendemos
cada parte do processo até a publicação e todas as decisões tomadas pelo
escritor e pela editora? Quais são os limites de uma publicação editorial? Existe
um formato exigido ou podemos inovar?
Muitos
escritores independentes podem ver-se limitados a determinados moldes de
gráficas ou plataformas, mas isso não significa que o seu livro deva ser assim.
Pode dar mais trabalho, talvez você deva gastar um pouco mais para sair dos
moldes ou até mesmo buscar outras formas de impressão, mas se o seu sonho é ter
um livro único, nada é impossível se você pesquisar bem e usar os materiais
certos.
Dia
18 de fevereiro participei da aula “Produção gráfica aplicada em 10 livros” da
Sala Tatuí e eles apresentaram livros com diferentes temáticas, cada um com o
seu toque especial e objetivo único, todos de uma criatividade para se
surpreender! Sem falar na produção artesanal de alguns deles. A aula realmente
foi maravilhosa e te deixa com um gostinho de quero mais.
Hoje
vamos conhecer esses onze livros e demonstrar que não existem limites para a
realização do seu sonho se você planejar e usar o material correto.
Inunda
– Conde Baltazar
Um
livro de um trabalho artesanal belíssimo realizado pela Editora Caderno
Listrado, pelo escritor Conde Baltazar e o designer Jaime Silveira.
Conta
com impressões em serigrafia vinho, capa dura revestida em tecido com
serigrafia e tipografia, além disso, o trabalho manual de colar todas as 60
imagens sobre os textos.
Esse
livro possui ilustrações sobre os textos o que tornam a leitura mais
interativa, ficando à escolha do leitor de descobrir o que há por trás de cada
arte, assim podendo ser interpretado de duas maneiras: desde os textos ou das
imagens.
A
proposta é muito interessante, já que faz o leitor explorar cada detalhe do
livro, não somente disfrutando a leitura.
Pertencente
à Edição Catador, “O Ministério da Saúde se diverte” é um zine ilustrado com 30
cromos coloridos para você colecionar e colar, além de mais de “4.700
substâncias tóxicas”.
É um
livro interativo que traz uma crítica para as pessoas que fumam, já que as
imagens colecionáveis são justamente as imagens que aparecem na parte de trás
das embalagens das caixas de cigarro.
É
interessante ver como puderam combinar uma crítica tão importante com algo tão
comum que está presente desde a nossa infância que é o álbum de figurinhas, e
também a ideia de colecionar algo.
Este
livro é um poema visual que conta a breve história de um espirro. Encadernado
em wire-o (como caderno), com interior offset colorido e com imagens
sequenciais que seguem desde o sorriso na capa até uma última imagem de mesmo
ângulo de um espirro.
É
interessante ver como o livro trabalha com imagens e palavras para ilustrar
algo tão simples quanto um espirro, além disso, o uso dos materiais acaba sendo
perfeito para a proposta.
Zine
realizado com a técnica da dobra infinita que registra o jogo histórico da
Alemanha contra o Brasil na Copa do Mundo de 2014. Recriado em um trabalho de
lettering manual.
A
proposta do livro é muito interessante, já que a dobra infinita dá a sensação
de que a leitura nunca termina, assim como os intermináveis gritos de “gol” que
continuam ressoando na memória do povo brasileiro. Basicamente, é o leitor que
deve decidir quando a “tortura” termina.
É um
livro de fotografias que procura tornar compreensível o culto, a história e o
dia a dia no vale do Matutu, onde a Ayahuasca é a bebida (alucinógena)
fundamental da doutrina, assim retratando como essa experiência o afetou.
É
uma edição belíssima, começando pela capa em baixo relevo e hotstamp com efeito
metalizado. Esse livro contém a lombada exposta para deixar o livro plano ao
abrir e assim proporcionar uma melhor visualização das fotografias. Além disso,
as bordas do livro são cobertas por uma lâmina dourada. Uma verdadeira obra de
arte.
A
última coisa que você pensa ao produzir um livro é jogar fogos de artifício
sobre ele. Reza nos traz uma proposta completamente diferente, onde o desenho
foi pensado a partir dos sentimentos gerados pela memória de um homem: “excluído
de si, meu avô nasceu dentro de mim, no interior da Bahia. Sua história em branco,
passado fumaça, etéreo. Nuvem esparsa”. Com um lindo trabalho feito a lazer para
escrever o nome do livro e fazer os detalhes de queimado na capa.
Essa
ideia de “história em branco”, “passado fumaça” que está presente na sinopse do
livro é literalmente transmitido a través do projeto gráfico do livro. Onde as
páginas brancas possuem letras brancas difíceis de enxergar por ser uma
história em branco, um passado a ponto de desaparecer. E a fumaça está ali, sob
os efeitos dos fogos de artifício, que além de marcarem aquelas páginas, também
devem marcar as experiências na pele do avô do escritor.
Realmente
uma genialidade que transmite não só as dificuldades e caminhadas de uma pessoa
na escrita, mas também na experiência da leitura. Sem falar que cada exemplar é
único, já que não existem dois efeitos iguais feitos pelos fogos de artifício.
Livro
em inglês que conta a história da principal vestimenta da Índia, ele vem
dobrado como se fosse o tecido que essas mulheres usam, além de estar pendurado
em um cabide que justamente passa essa ideia.
Ao
ler, você está literalmente “unfolding” (desdobrando) esse decido além de
descobrir mais sobre a sua importância e história para essa cultura. Um
trabalho muito criativo que envolve toda uma experiência de leitura ao trazer
algo comum para o mundo dos livros.
Uma
produção muito interessante, principalmente pelos materiais usados na capa para
fazer esse efeito de O. Como indicado na aula, o papel preto é feito de um material
especial que contém piche e é à prova d’água, usado geralmente para proteger
objetos quando você faz importações, combinado com um papel parafinado mais
fino como vocês podem ver nas fotos abaixo.
A
proposta do livro chama a atenção porque o formato O pode ser muito versátil e
a maneira como ele aparece durante o livro traz imagens sem serem realmente
ilustrações. Como eles mesmo explicam: “A estrutura usada para o conteúdo
visual é ocupada exclusivamente com conteúdo verbal”.
Esse
livro é uma grande paródia daqueles manuais de instrução da Ikea (que são
conhecidos por nunca funcionarem bem ou virem com peças que sobram). Aqui o
autor conta como foi a criação do nosso mundo com essas mesmas instruções, além
de vir com uma peça que nós não sabemos bem para que serve.
Cheio
de sátiras e críticas, parece ser uma leitura leve e divertida. É importante
destacar que o livro vem envolvido em um plástico assim como todos os manuais
de montar móveis.
É um
livro composto por doze páginas onde dez elas possuem bordados feitos à mão,
além de frases curtas e imagens que formam um conjunto com o bordado.
Esse
livro possui uma encadernação com grampos e as folhas internas são bem grossas.
Uma verdadeira obra de arte e um trabalho manual muito bonito onde o bordado
termina de completas as nossas máscaras.
Acredito
que com todos esses exemplos mostrados de maneira maravilhosa pela Cecília
Arbolave na aula da Sala Tatuí, e de maneira resumida nesse post do Projeto. Demonstram
que um livro pode ser muito mais do que apenas páginas coladas ou costuradas em
uma capa couché, aqui entendemos que ler um livro também mexe com a experiência
do leitor, a maneira como ele experimenta essa leitura, se e algo mais comum
como conhecemos ou se existe outro tipo de relação que temos que estabelecer,
seja dobrando e desdobrando, esforçando um pouco a vista para ver letras
brancas sobre um papel branco ou até mesmo manuseando partes internas do livro
para conseguir ler.
Não
existem limites para a publicação, é só procurar as ferramentas e materiais
necessários. E você, conhece algum livro criativo ou artesanal para recomendar
para a gente?
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