Você está pensando em publicar o seu livro de maneira
independente, mas ainda não decidiu se quer publicar por gráfica ou por uma
plataforma de autopublicação? Então vem com a gente que contaremos para vocês
as principais diferenças!
Querendo ou não, ambos meios vão ser responsáveis pela
impressão do livro, porém o que acontece depois disso é o diferencial.
Gráfica.
Existem diferentes tipos de gráficas espalhadas pelo Brasil,
cada uma com o seu custo de produção e funcionamento.
- Tiragem
Algumas gráficas trabalham por meio de tiragem que pode
variar desde uma impressão até mil livros, por exemplo. Algumas podem pedir um
mínimo para realizar a impressão, como 10 livros. Geralmente quanto maior a quantidade de livros impressos, menor é o custo por unidade. Por isso é importante
saber desses detalhes antes de enviar o livro para a gráfica.
- Custo
O custo de toda a impressão sairá do bolso do escritor, além
do valor do frete para entrega em sua casa.
- Distribuição para leitores
O escritor receberá os livros impressos em casa e será o
responsável de enviar cada exemplar para os leitores. É muito importante não
esquecer de calcular o valor do envio, decidindo se será cobrado um valor para
os leitores ou se você se responsabilizará por esse valor.
- Distribuição em lojas e e-commerce
Esse trabalho também será realizado pelo escritor, entrando
em contato com as diferentes lojas e e-commerce averiguando quais são os
requisitos e a comissão para colocar o seu livro nesses lugares.
- Royalties
O escritor decidirá o valor do livro tendo em conta uma
margem de lucro, calculando sempre a partir do custo de produção da gráfica,
sem ter que pagar uma comissão por cada livro vendido.
Plataforma de autopublicação
As plataformas de autopublicação costumam trabalhar da mesma
forma entre si, variando em relação a valores de produção de royalties.
- Tiragem
Ao disponibilizar o seu livro, não é necessário que você
compre exemplares. Não existe uma quantidade de tiragem mínima ou máxima. O
leitor entrará na plataforma e comprará quantos livros desejar. Isso
significa que você não terá que pagar pela impressão.
- Custo
O custo de toda a produção e de frete é realizado pelo leitor.
O escritor não se responsabilizará por nenhum custo.
- Distribuição para leitores
A própria plataforma ficará encarregada de enviar os livros
para os leitores cobrando deles o frete correspondente.
- Distribuição em lojas e e-commerce
Algumas plataforma de autopublicação possuem parcerias com diferentes
lojas e e-commerce. Geralmente, para ativar essa distribuição é necessário que
o seu livro tenha ISBN registrado, além de ativar essa opção de parceria com as
lojas. Sempre tendo em mente que ao fazer isso, a sua margem de royalties pode
ser menor, já que essas lojas também costumam pegar uma parte do valor final do
livro ou vendem o livro mais caro para poder ter ganhos sobre a venda do livro na página.
- Royalties
Ao subir o livro na plataforma de autopublicação você deverá
definir quanto quer ganhar para cada exemplar vendido, os sites costumam
mostrar o valor de produção, mais a comissão deles e você deve acrescentar o
valor que deseja ganhar sobre esse valor já estabelecido pela plataforma.
Geralmente o livro pode acabar saindo um pouco mais caro em comparação ao da
gráfica, porém você tem outras vantagens.
Essas são as principais características presentes nessas
formas de publicação. E você, já publicou o seu livro de maneira independente?
Conta para a gente!
Imagem sob licença Creative Commons fcalard
Escolher
uma editora para publicar o seu livro nunca é uma tarefa fácil, primeiro você
deve saber que existem diferentes tipos de editora (clique aqui para sabermais) e que cada uma trabalha de maneira distinta. Por isso trouxemos algumas
dicas para você tomar essa decisão tão importante.
1.
Faça uma pesquisa prévia
Hoje
em dia com as redes sociais e a internet ficou mais fácil de saber mais sobre
qualquer empresa, incluindo as editoras, sejam elas grandes ou pequenas. Antes
de tudo é preciso fazer uma pesquisa sobre a editora para ter certeza que ela
não irá te decepcionar.
• A
editora e o seu projeto.
É
importante saber que cada editora possui um foco de publicação com um público
específico. Existem editoras que publicam somente poesia, outras ficção
científica, algumas terror e assim por diante.
Por
mais que você ame uma editora, não saia enviando um gênero literário que eles
não costumam publicar. Por exemplo, a probabilidade de um livro chick-lit ser
publicado pela DarkSide Books é muito pouca.
• Reclame
aqui!
Você
pode entrar em sites como “Reclame aqui” para conhecer a reputação da empresa
tanto com leitores como com escritores. Nesse site você ainda pode ver se a
editora entrou em contato e solucionou o problema ou se deixou os clientes
insatisfeitos sem resposta.
• Redes
sociais.
As
redes sociais, como o Instagram, demonstram a quantidade de influência, a
cultura da editora (através da maneira que se comunicam, as palavras que usam,
o que postam e repostam) e também se os leitores e escritores estão satisfeitos
através de likes e comentários.
• Portfólio
da editora.
Toda
boa editora costuma ter um site onde publica informações, tanto de livros
novos, como lojinha virtual e abertura de editais. Ali você pode ver a
quantidade de livros publicados, a qualidade do design das capas e ler também
os requisitos dos editais (tendo uma noção do que eles pedem para uma base de
publicação, se cobram, qual o valor, a porcentagem de royalties dos autores, se
recebem exemplares ou não… etc)
• Ir
até uma biblioteca.
Apesar
da internet oferecer muitas facilidades, nada se compara a ver um livro físico
dessa editora. Ao ter o livro você pode ver a qualidade da impressão, dos
papéis usados para a capa e também para o miolo, as dimensões finais do livro e
vários outros detalhes que só os seus sentidos podem identificar
presencialmente.
2.
Converse com autores nacionais já publicados por essas editoras.
Ter
uma rede de amigos escritores é muito bom nesse sentido, já que você pode
perguntar qual foi a experiência do autor no seu processo de publicação, eles
melhor do que ninguém poderão contar como foi todo o trato e cuidado com seus
projetos.
Se
você não participa de uma rede de escritores, você pode entrar em contato com
esses escritores sempre respeitando a sua indicação de contato (muitos se
incomodam ao receber mensagem no direct ou no facebook pessoal, tente procurar
um e-mail de contato ou ver a indicação que eles colocam na bio para contato, a
maioria costuma responder ajudando escritores iniciantes).
3. Leia
o contrato/a proposta!
Você
pode ter escolhido diferentes editoras e enviado o seu livro para avaliação,
cada uma delas vai responder com uma proposta diferente de acordo com o tipo de
publicação que elas costumam fazer. É muito importante que você possa ler todas
as cláusulas e todas as propostas e pensar bem se são convenientes ou não e se
era o que você esperava. Por exemplo, algumas editoras permitem que o autor
publique o livro também em plataformas independentes, já outras pedem completa
exclusividade. Algumas podem ser responsável por todo o marketing das redes
sociais e outras podem deixar na mão do autor.
Também
está a questão da porcentagem do valor de capa que o autor irá receber por cada
venda, ou se a publicação será tradicional ou não. Por isso é importante ler
tudo com detalhes para não ter surpresas no futuro.
4. O
contato.
Preste
bem atenção em como a editora responde a sua proposta de livro e como é a comunicação
com eles. Eles demoram para responder? Eles têm em conta a sua opinião? Como é
feito esse contato? (Somente por instagram de maneira nada profissional ou tem
um e-mail, um whatsapp?). Eles perguntaram mais sobre o seu livro e como você
imagina o seu projeto ou parece que estão te apressando para fechar o contrato
e o pagamento?
Analise
cada cláusula antes de fechar o contrato, para não se encontrar com problemas
futuros como atrasos no cronograma, uma diagramação e capa não relacionadas ao
seu livro, problemas de comunicação e derivadas.
5.
CNPJ.
Existem
editoras fantasmas ou aquelas que costumam dar o calote nos autores, como certo
grupo editorial que sumiu entre 2018 e 2019 sem dar explicações aos autores e leitores
que não receberam seus livros. Por esse motivo é interessante procurar a
situação fiscal das editoras, se elas estão com CNPJ ativo e habilitado ou se
não possuem nenhuma causa judicial. Para encontrar o número fiscal da empresa é
só colocar o nome da editora no Google seguido de CNPJ, você também pode
alterar as ferramentas de busca para datas mais recentes, por exemplo. Faça bem
a sua pesquisa antes de cair em uma armadilha!
Esperamos
que essas dicas tenham ajudado vocês! Se você tem mais alguma outra para
compartilhar é só deixar aqui nos comentários!
Todos
nós já seguramos um livro em nossas mãos, mas será que realmente entendemos
cada parte do processo até a publicação e todas as decisões tomadas pelo
escritor e pela editora? Quais são os limites de uma publicação editorial? Existe
um formato exigido ou podemos inovar?
Muitos
escritores independentes podem ver-se limitados a determinados moldes de
gráficas ou plataformas, mas isso não significa que o seu livro deva ser assim.
Pode dar mais trabalho, talvez você deva gastar um pouco mais para sair dos
moldes ou até mesmo buscar outras formas de impressão, mas se o seu sonho é ter
um livro único, nada é impossível se você pesquisar bem e usar os materiais
certos.
Dia
18 de fevereiro participei da aula “Produção gráfica aplicada em 10 livros” da
Sala Tatuí e eles apresentaram livros com diferentes temáticas, cada um com o
seu toque especial e objetivo único, todos de uma criatividade para se
surpreender! Sem falar na produção artesanal de alguns deles. A aula realmente
foi maravilhosa e te deixa com um gostinho de quero mais.
Hoje
vamos conhecer esses onze livros e demonstrar que não existem limites para a
realização do seu sonho se você planejar e usar o material correto.
Inunda
– Conde Baltazar
Um
livro de um trabalho artesanal belíssimo realizado pela Editora Caderno
Listrado, pelo escritor Conde Baltazar e o designer Jaime Silveira.
Conta
com impressões em serigrafia vinho, capa dura revestida em tecido com
serigrafia e tipografia, além disso, o trabalho manual de colar todas as 60
imagens sobre os textos.
Esse
livro possui ilustrações sobre os textos o que tornam a leitura mais
interativa, ficando à escolha do leitor de descobrir o que há por trás de cada
arte, assim podendo ser interpretado de duas maneiras: desde os textos ou das
imagens.
A
proposta é muito interessante, já que faz o leitor explorar cada detalhe do
livro, não somente disfrutando a leitura.
Pertencente
à Edição Catador, “O Ministério da Saúde se diverte” é um zine ilustrado com 30
cromos coloridos para você colecionar e colar, além de mais de “4.700
substâncias tóxicas”.
É um
livro interativo que traz uma crítica para as pessoas que fumam, já que as
imagens colecionáveis são justamente as imagens que aparecem na parte de trás
das embalagens das caixas de cigarro.
É
interessante ver como puderam combinar uma crítica tão importante com algo tão
comum que está presente desde a nossa infância que é o álbum de figurinhas, e
também a ideia de colecionar algo.
Este
livro é um poema visual que conta a breve história de um espirro. Encadernado
em wire-o (como caderno), com interior offset colorido e com imagens
sequenciais que seguem desde o sorriso na capa até uma última imagem de mesmo
ângulo de um espirro.
É
interessante ver como o livro trabalha com imagens e palavras para ilustrar
algo tão simples quanto um espirro, além disso, o uso dos materiais acaba sendo
perfeito para a proposta.
Zine
realizado com a técnica da dobra infinita que registra o jogo histórico da
Alemanha contra o Brasil na Copa do Mundo de 2014. Recriado em um trabalho de
lettering manual.
A
proposta do livro é muito interessante, já que a dobra infinita dá a sensação
de que a leitura nunca termina, assim como os intermináveis gritos de “gol” que
continuam ressoando na memória do povo brasileiro. Basicamente, é o leitor que
deve decidir quando a “tortura” termina.
É um
livro de fotografias que procura tornar compreensível o culto, a história e o
dia a dia no vale do Matutu, onde a Ayahuasca é a bebida (alucinógena)
fundamental da doutrina, assim retratando como essa experiência o afetou.
É
uma edição belíssima, começando pela capa em baixo relevo e hotstamp com efeito
metalizado. Esse livro contém a lombada exposta para deixar o livro plano ao
abrir e assim proporcionar uma melhor visualização das fotografias. Além disso,
as bordas do livro são cobertas por uma lâmina dourada. Uma verdadeira obra de
arte.
A
última coisa que você pensa ao produzir um livro é jogar fogos de artifício
sobre ele. Reza nos traz uma proposta completamente diferente, onde o desenho
foi pensado a partir dos sentimentos gerados pela memória de um homem: “excluído
de si, meu avô nasceu dentro de mim, no interior da Bahia. Sua história em branco,
passado fumaça, etéreo. Nuvem esparsa”. Com um lindo trabalho feito a lazer para
escrever o nome do livro e fazer os detalhes de queimado na capa.
Essa
ideia de “história em branco”, “passado fumaça” que está presente na sinopse do
livro é literalmente transmitido a través do projeto gráfico do livro. Onde as
páginas brancas possuem letras brancas difíceis de enxergar por ser uma
história em branco, um passado a ponto de desaparecer. E a fumaça está ali, sob
os efeitos dos fogos de artifício, que além de marcarem aquelas páginas, também
devem marcar as experiências na pele do avô do escritor.
Realmente
uma genialidade que transmite não só as dificuldades e caminhadas de uma pessoa
na escrita, mas também na experiência da leitura. Sem falar que cada exemplar é
único, já que não existem dois efeitos iguais feitos pelos fogos de artifício.
Livro
em inglês que conta a história da principal vestimenta da Índia, ele vem
dobrado como se fosse o tecido que essas mulheres usam, além de estar pendurado
em um cabide que justamente passa essa ideia.
Ao
ler, você está literalmente “unfolding” (desdobrando) esse decido além de
descobrir mais sobre a sua importância e história para essa cultura. Um
trabalho muito criativo que envolve toda uma experiência de leitura ao trazer
algo comum para o mundo dos livros.
Uma
produção muito interessante, principalmente pelos materiais usados na capa para
fazer esse efeito de O. Como indicado na aula, o papel preto é feito de um material
especial que contém piche e é à prova d’água, usado geralmente para proteger
objetos quando você faz importações, combinado com um papel parafinado mais
fino como vocês podem ver nas fotos abaixo.
A
proposta do livro chama a atenção porque o formato O pode ser muito versátil e
a maneira como ele aparece durante o livro traz imagens sem serem realmente
ilustrações. Como eles mesmo explicam: “A estrutura usada para o conteúdo
visual é ocupada exclusivamente com conteúdo verbal”.
Esse
livro é uma grande paródia daqueles manuais de instrução da Ikea (que são
conhecidos por nunca funcionarem bem ou virem com peças que sobram). Aqui o
autor conta como foi a criação do nosso mundo com essas mesmas instruções, além
de vir com uma peça que nós não sabemos bem para que serve.
Cheio
de sátiras e críticas, parece ser uma leitura leve e divertida. É importante
destacar que o livro vem envolvido em um plástico assim como todos os manuais
de montar móveis.
É um
livro composto por doze páginas onde dez elas possuem bordados feitos à mão,
além de frases curtas e imagens que formam um conjunto com o bordado.
Esse
livro possui uma encadernação com grampos e as folhas internas são bem grossas.
Uma verdadeira obra de arte e um trabalho manual muito bonito onde o bordado
termina de completas as nossas máscaras.
Acredito
que com todos esses exemplos mostrados de maneira maravilhosa pela Cecília
Arbolave na aula da Sala Tatuí, e de maneira resumida nesse post do Projeto. Demonstram
que um livro pode ser muito mais do que apenas páginas coladas ou costuradas em
uma capa couché, aqui entendemos que ler um livro também mexe com a experiência
do leitor, a maneira como ele experimenta essa leitura, se e algo mais comum
como conhecemos ou se existe outro tipo de relação que temos que estabelecer,
seja dobrando e desdobrando, esforçando um pouco a vista para ver letras
brancas sobre um papel branco ou até mesmo manuseando partes internas do livro
para conseguir ler.
Não
existem limites para a publicação, é só procurar as ferramentas e materiais
necessários. E você, conhece algum livro criativo ou artesanal para recomendar
para a gente?
Projeto Escrita Criativa nasceu em 2015 com o objetivo de reunir blogueiros e novos escritores, para exercitarem a sua criatividade no papel.
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